sábado, 31 de maio de 2014

Games e Realidade Aumentada para uma Educação sem Distância


Atendendo a pedidos dos participantes do minicurso "Realidade Aumentada e Games na Prática", apresentado durante o "XI Congresso Internacional de Tecnologia na Educação", retomo esses dois temas, dessa vez simultaneamente, para apresentar os principais pontos e ferramentas abordados no minicurso. Muitos de meus leitores, que não participaram do curso, também se interessam por esses temas e poderão, assim, ter acesso ao conteúdo prático que foi lá trabalhado.

Games (ou Jogos Digitais, ou simplesmete, Jogos).

Já abordei o tema Jogos na Educação aqui e aqui.  Hoje quero apenas destacar duas ferramentas para a criação de jogos e mostrar uma categoria pouco conhecida, com grande potencial educacional: a dos jogos baseados em rabiscos ou esboços (sketchs).

Ferramentas para criação de jogos

A primeira delas é o Game Maker. Criado por um professor de computação para usar no ensino de programação, fez tanto sucesso que virou produto comercial. Existe uma versão gratuita que permite a criação de jogos 2D e a geração de versões executáveis para Windows e Mac. Sugiro começar pela versão 8 (não é a mais recente) pois ela já vem com um ótimo tutorial. Faça esse tutorial e perca o precocneito de que criar jogos é muito complicado.


Outra ferramenta que vem se destacando é o Unity.  Não é simples como o Game Maker, mas pelos recursos que oferece considero ser a mais fácil de usar da categoria. Possui um paradigma bem interessante, que facilita a participação de pessoas com habilidades complementares trabalharem num projeto de jogo. Os designers e artistas criam todo o cenário e personagens, enquanto os programadores incluem scripts que definem os comportamentos de objetos e personagens. Interessante que é possível usar 4 linguagens de programação diferentes (ao mesmo tempo!). Outra vantagem e´que o mesmo projeto pdoe ser exportado para diferentes plataformas (Web, PC, Mac, Android, iOS etc..). O Unity é comercial (e não custa pouco, apesar de ser um dos mais baratos em sua categoria), mas possui versão gratuita com algumas limitações, como não dar acesso a determinados recursos avançados da placa gráfica e a impossibildiade de exportar para celulares.  Recomendo.  Agora se você não abre mão de ferramentas gratuitas e abertas tente esses:

Panda

OGRE

Grit

Open Sim (não é bem uma ferramenta para desenvolvimento de jogos, mas possibilita a criação de um ambiente virtual online similar ao Second Life, este comercial)

Jogos de Rabiscos

Hoje estou destacando esses jogos porque são bastante envolventes e não exigem qualquer habilidade artística para criá-los. Uma forma bastante eficaz de se utilizar jogos na educação é colocar os alunos para desenvolver seus próprios jogos. Como, além da autonomia e do relacionamento (poder apresentar seus jogos para colegas e para o mundo), sentir-se competente é também um requisito para a motivação intrínseca (veja Why We Do What We Do, de  Edward L. Deci e Richard Flaste), podemos ficar tranquilos já que nenhum aluno vai se sentir incapaz de rabiscar ;-) .

O "My Doodle Game" é um exemplo de ferramenta de criação de jogos (ainda que específica para jogos de plataforma) disponível para tablets e celulares baseada nesse conceito. Veja um video demonstrativo (em inglês).


Seguem outros exemplos interessantes (também em inglês, sorry..)
 In-Place Augmented Reality 3D Sketching of Mechanical Systems não é exatamente um jogo, mas é bem divertido; trata-se de um experimento do HitLab Nova Zeklandia (fundado por um dos criadores do AR Toolkit) que pode ser muito útil no ensino de física. O usuário desenha no papel uma rampa com um objeto e o programa reproduz esse objeto em 3D e em realidade aumentada cria um movimento de acordo com o centro geométrico do objeto.  

 

 Crayon Physics Deluxe 

 Jogo de plataforma bastante divertido. Experimente. 


Realidade Aumentada

A segunda, e maior, parte deste meu post aborda a Realidade Aumentada (RA), ou Augmented Reality (AR). Realidade Aumentada é um conceito, muito mais do que tecnologia, relacionado à sobreposição de elementos virtuais e reais, alinhados num mesmo espaço tridimensional, com os quais se pode interagir em tempo-real. Para saber mais sobre esse conceito e as tecnologias que o viabilizam veja esses meus posts:  Virtualidade Real   e   Realidade Aumentada na Educação. Veja também esse interessante mapa conceitual sobre realidade aumentada (em inglês).

A RA na educação pode ser trabalhada de diversas formas, a maioria das quais se enquadra em uma dessas quatro abordagens:

1. RA como apoio ao professor : o professor se utiliza de elementos virtuais para apoiar a exposição de determinado conteúdo, interagindo com objetos virtuais tridimensionais (como na figura que abre este post, capturada de uma palestra que apresentei via webconferência). Essa técnica pode ser usada tanto em apresentações presenciais como a distância (ou mesmo em videos pré-gravados).

2. RA na redução de distâncias entre aluno e conteúdo:  estudos sobre percepção de presença mostram que quanto menor a percepção da tecnologia intermediando uma interação, maior é o sentimento de presença experienciado pelo interator.  Com a RA a impressão é de se estar manipulando diretamente os objetos virtuais, inseridos no contexto do ambiente real.

3. RA em atividades lúdicas: a união do conceito de RA com jogos é muito poderosa, podendo propiciar maior envolvimento e motivação aos alunos. Jogos que envolvam gincanas e buscas em espaços abertos são bastante eficazes.

4. RA como tema de trabalhos práticos: considero a forma mais produtiva de se trabalhar RA com RA na educação, ou seja, pedir aos alunos que desenvolvam suas próprias criações de RA, tendo algum objetivo relacionado ao conteúdo trabalhado pela disciplina. Por dar autonomia ao aluno e esse poder compartilhar sua criação com colegas e sociedade, aumenta-se bastante a motivação, engajamento, presença e, consequentemente, o aprendizado (conforme já comentado acima, quando falei dos jogos de rabiscos).

São duas as preocupações que mais ouço de professores que se interessam pela RA mas não sabem como começar: custo e complexidade.   Realmente, até recentemente as ferramentas gratuitas eram difíceis de serem utilizadas, exigindo experiência de programação. Mas os produtores de ferramentas comerciais perceberam que para atrair mais usuários para seus produtos precisariam liberar versões gratuitas. Em geral tais versões são bastante limitadas, mas suficientemente poderosas para propiciar reduções de distância em educação (presencial ou virtual). Quem tenta usar se surpreende com a facilidade e com os resultados.

Sem a pretensão de cobrir todas as ferramentas disponíveis em versões total ou parcialmente gratuitas, listo a seguir algumas ferramentas úteis de RA. Se você leitor conhece alguma outra, ou já utilizou uma dessas, e quiser compartilhar sua experiência, comente aqui no blog.

Aurasma:  dispõe de aplicativos gratuitos para iOS e Android (apenas para visualização dos efeitos, não para a produção dos mesmos). É possível solicitar gratuitamente um login de desenvolvedor e produzir online interações de RA, incluindo localizações baseadas em GPS.

Veja um teste que fiz com o Aurasma: instale o aplicativo do AURASMA em seu tablet ou celular, entrando no canal "Romero Tori"; aponte seu dispositivo móvel para a capa do livro "Educação sem Distância". Não tem o livro ?  Use a imagem da figura mais abaixo, utilizada para demonstrar o Junaio.

Junaio: mais poderoso que o AURASMA, com facilidade de não precisar ser aceito como desenvolvedor para ter acesso às ferramentas de criação, que podem ser baixadas e instaladas no computador. Também possui aplicativos gratuitos para iOS e Android. No entanto a versão gratuita do editor para a produção de material é bastante limitada, permitindo apenas dois marcadores por projeto e apenas um projeto colocado na nuvem por vez (para acesso por celulares e tablets de qualquer pessoa). Outra limitação da versão gratuita é que para alguém acessar o seu canal precisará apontar para um QR CODE que o identifica.

Se quiser ver o teste que fiz com o Junaio, baixe o aplicativo JUNAIO em seu celular ou tablet. Aponte para o QR Code abaixo (veja se meu canal foi identificado e aparece meu icone na barra superior), imprima a imagem (ou use na própria tela) e olhe através do celular para o retângulo com coração (ao aparecer um guerreiro, toque-o e veja o que acontece), depois observe a minha imagem ao lado de meus contatos.



LayAR: assim como Aurasma e Junaio. é bastante utilizado para produções de marketing e divulgação de grandes empresas e possui aplicativos gratuitos para Android e iOS.   A versão gratuita do editor para produção de conteúdos possui bastante limitações.


SACRA, basAR e Flaras: o site sobre realidade virtual e aumentada do Prof Claudio Kirner possui muito material interessante e ferramentas úteis. Entre elas destaco essas três, voltadas para pessoas sem experência em programação. Baseadas nas ferramentas de programação ARToolkit e FlARToolkit (no caso de Flaras), permitem a criação de interações de realidade aumentada, de forma bem amigável.
 ARToolkit: a mais antiga e tardicional ferarmenta de RA. Muitas das ferarmentas hoje disponíveis, como o BuildAR, o FlARToolkit e o SACRA, entre outras, utilizam-na como motor. Foi também uma das grandes responsáveis pela popularização da RA.

Recursos para RA

Todos os recursos necessários para a produção de interações de realidade aumentada, como modelos tridimensionais, vídeos e páginas HTML, podem ser criados com quaisquer ferramentas disponíveis para produção desses conteúdos (como Movie Maker ou Premiere para videos, Blender ou 3D Max para modelos 3D, Dreamweaver para páginas HTML). Os editores de RA servem apenas para juntar esse conteúdos, programar seus comportamentos, associar links e, principalmente, alinhá-los com o mundo real por meio de marcadores.

Para facilitar indico a seguir alguns sites que oferecem modelos 3D gratuitamente.





Espero que as dicas de hoje lhe sejam úteis. Por favor compartilhe suas experiências, aventuras e desventuras com os jogos e a realidade aumentada na educação, comentando este post. 









quinta-feira, 15 de maio de 2014

Seminário em Educação Aberta, Sociedade e Tecnologia (Galeria de Fotos)



15/05/14


Diretor da Poli/USP abre o evento.



Painel: Educacao Aberta na América Latina  (Moderação: Romero Tori)
-          Mapeamento de iniciativas REA no Brasil e na América LatinaPriscila Gonsales, Instituto Educadigital e REA.br
-          Recursos educacionais abertos no Brasil: o campo, os recursos e sua apropriação em sala de aula, Jamila Venturini, Programa Catalisador da Wikimedia no Brasil.
-           Política pública de educação para REA no Brasil, Débora Sebriam - Instituto Educadigital
-          Recursos abertos em formato de games e gamificação de recursos abertos,  Paula Carolei. UNIFESP


Palestra do Prof Fredric Litto.

Painel: Barreiras e Soluções para Adoção de Educação Aberta (moderacao: Priscila Gonsales)
-          Plataformas de recursos abertos Teresa Cristina Jordão,   Tic Educa                
-          Openness as a Tool, Xavier Ochoa, Escuela Superior Politécnica del Litoral, Equador
-          Open Education developments in Mexico. Celso Garrido, UAM, Mexico.


 Lançamento do Centro de Estudos Sociedade e Tecnologia e do Projeto eMundus

                                               16/05/14
Keynote Speaker: Andreia Inamorato





Keynote Speaker: João Mattar




Stavros Xanthopoylos


Carlos Souza


Silvia Sá


                                                                        Encerramento