sábado, 8 de novembro de 2014

MOOC: Modismo ou Inovação ?


Caros leitores sem distância:

MOOC (Massive Open Online Courses ou Cursos Online Abertos e Massivos) é mais uma entre  tantas siglas que surgem de repente na área de tecnologia educacional e passam a ser "buzinadas" em palestras, eventos, publicações, reuniões e, claro, em blogs. Na área de tecnologia usamos o termo buzzword para designá-las. São poucas, no entanto, as que sobrevivem ao modismo.  Algumas perdem o nome mas perpetuam o conceito sob outra denominação. A maioria cai no esquecimento tão rapidamente quanto surgiram. MOOC já começa a produzir derivações. Recentemente o Prof Fredric  Litto, presidente da ABED,  me apresentou, entre diversas outras variantes, o conceito de MOOP (Massive Open Online Programs ou Cursos estruturados Abertos Online e Massivos). Essa evolução do conceito de MOOC é bem interessante, porque em lugar de um repositório de disciplinas (courses, em inglês)  passaríamos a ter cursos completos e estruturados (program, em inglês), compostos por várias disciplinas  .

Qual seria o destino do MOOC (tema também deste meu outro post)  ?  Difícil saber. Mas, para nos ajudar a reduzir a distância entre o que achamos e o que de fato é a experiência de aprender com MOOC, pedi a Elen Collaço, minha futura orientanda de doutorado, que nos relatasse sua experiência como aluna de MOOCs.

Fala Elen!
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MOOC: Modismo ou Inovação ?
Elen Collaço de Oliveira

MOOC (Massive Open Online Courses) vem recentemente explodindo no cenário acadêmico, e como o próprio nome diz, são cursos (ou disicplinas) online abertos e massificados. Eles são uma nova forma de aprender e oferecem centenas de disciplinas de graça; capazes de atingir milhares de alunos ao mesmo tempo. Existem duas grandes plataformas: o edX e o Coursera.


Eu conheci essas plataformas no início de 2013 e nessa época não existia uma grande quantidade de opções disponíveis como pode ser visto atualmente. Eu tenho um interesse pessoal em bioquímica e biologia molecular – nenhum deles está relacionado com minha formação acadêmica –, mas, estou sempre procurando maneiras de aumentar meus conhecimentos nessas disciplinas. Por essa razão, escolhi estudar primeiramente Introduction to Biology: The Secret of Life oferecido pelo The Massachusetts Institute of Technology (MIT) e posteriormente o curso Preparation for Introductory Biology: DNA to Organisms pela Universidade da Califórnia.
A estrutura da aula varia de acordo com o material da disciplina e da plataforma. Na primeira  que me inscrevi, ministrado pelo professor Eric Lander do MIT, as aulas são divididas em “Lectures”. Em cada “Lecture” existe uma sequência de vídeos de aulas pequenas com duração média de 10 minutos (aproximadamente 2 horas por semana), intercalados com fóruns de discussão e quizzes.
Os vídeos são gravações de aulas reais em que Lander frequentemente olha diretamente para uma câmera, fazendo uma varredura com o olhar em uma sala de aula repleta de estudantes, proporcionando uma sensação de você ser mais um participante da turma. Essa é uma tática simples, porém interessante para aproximar o público online e diminuir a distância transacional.
O conteúdo da disciplina é liberado aos poucos e separado por semana. A interface é simples e muito fácil de navegar. Além disso, a plataforma proporciona uma sessão com um gráfico do progresso do aluno juntamente com a nota dos quizzes, dos problemas interativos e dos exames. Conforme a disciplina avança, os problemas interativos e os exames são liberados.
Achei a abordagem entre a teoria e a prática excelente. Todos os participantes puderam experimentar diferentes tipos de problemas interativos, alguns desses problemas envolveram explorar uma enzima tridimensional e clicar em seus átomos para observar características. Outro problema procurou explorar um gene em que o usuário clica em um determinado trecho de um genoma e de forma interativa explora a sequência de pares de bases de DNA, compreendendo assim, a sua estrutura eucariótica, expressão e mutação.
Outro aspecto que chamou atenção foi o aprendizado baseado em um jogo chamado Foldit. Essa ferramenta permite o estudante dobrar proteínas tridimensionais. Pontos são ganhos para dobrar estruturas que devidamente levam em conta as muitas forças químicas que regem a estrutura da proteína e as altas pontuações eram sinalizadas em um painel do curso; proporcionado assim um senso de gamificação para o estudante.
Gostei muito também do espírito de colaboração entre os participantes do curso. Dado que o fórum de discussão é o único lugar para fazer perguntas, pós-graduandos do departamento de Biologia do MIT estavam sempre dispostos a responder às perguntas e, além deles, milhares de outros estudantes de diferentes níveis espalhados pelo mundo estavam lá para tirar dúvidas também. Isso tornou o fórum animado e ativo e fez com que não me sentisse sozinha durante o processo de aprendizagem.
Após o término do curso no edX eu recebi um certificado gratuito e, entusiasmada com a possibilidade de continuar estudando em universidades reconhecidas pelo mundo, eu me inscrevi numa disciplina da Universidade da Califórnia oferecida pela plataforma coursera. A estrutura da dsiciplina foi praticamente a mesma, com pequenos vídeos de aulas divididos por quizzes, no entanto, em vez de serem vídeos gravados a partir de uma sala de aula, esses vídeos foram produzidos especialmente para o aluno online.
Mesmo com um formato dos vídeos mais técnico, achei a disciplina ótima e me prendia a atenção o tempo todo. Os vídeos são bem editados e são gravados em vários formatos – professor ensinando sozinho, com slides, ou desenhando em slides ou uma tela em branco. Conforme o professor fala e interage, um quadro com o seu rosto muda de posição e tamanho no vídeo. Em momentos estratégicos o vídeo pausa e uma pergunta surge. Isso é particularmente importante, pois oferece aos alunos a oportunidade de aprender em pequenos segmentos e reforçar o que aprendeu com testes práticos.
A avaliação dos exames na plataforma coursera é bem interessante – conhecido como peer assessments -, é composta da sua autoavaliação juntamente com a avaliação de mais cinco colegas. O sistema escolhe aleatoriamente e de forma anônima os alunos. Estes avaliam o exame de acordo com um formulário contendo explicações e orientações para a atribuição da nota. Esse sistema de avaliação fez com que eu reforçasse ainda mais o conteúdo e percebesse que, no geral, as mesmas dúvidas e falhas que eu tinha, outros alunos também tinham. Outro recurso disponível era um campo adicional para que o aluno pudesse escrever suas considerações após a atribuição da nota. Enfim, gostei muito das avaliações que recebi e procurei dar um bom feedback para os outros estudantes também.
O curso oferecido pelo edX teve aproximadamente 40.000 inscritos, contudo apenas um pouco mais de 3.000 estudantes conseguiram concluir a disciplina e obter certificado. Apesar de o conteúdo semanal ser relativamente pequeno, é necessário empenho e disciplina. Os exames não eram triviais e eu precisei entender bem o conteúdo de forma abrangente antes que eu pudesse responder com confiança. Além disso, os trabalhos - bem como os problemas interativos e tarefas de final de curso- podem exigir um grande esforço, mas é plenamente realizável.
Vale ressaltar que os cursos do edX e coursera são gratuitos e oferecem dois níveis de certificação: um livre e outro reconhecido mediante pagamento. O certificado livre é conhecido como “Código de Honra” e você se compromete a não disponibilizar a ninguém as respostas de seus trabalhos, quizzes e exames. Já os certificados reconhecidos necessitam de uma webcam e um número de documento para confirmar sua identidade, assim comprova que você - e mais ninguém - realizou todas as tarefas exigidas. O custo pode variar entre $20 e $100.

Em resumo, a experiência tem sido válida e, o mais importante, não interfere em minhas outras atividades, considerando que no mundo em que vivemos as metas e exigências são inúmeras. Paralelamente, existem outros tantos fatores motivacionais, tais como: físicos, geográficos, financeiro, emocionais, mobilidade urbana, comodismo, abertura para experiências, necessidade de ampliar conhecimentos, aperfeiçoar competências e hobby. 
Você pode estar incluído em um ou mais fatores mencionados e aceitar o desafio de frequentar um MOOC, além de ter grande chance de se dar bem! Cada vez mais pessoas necessitam adaptar seus estudos, trabalho e sua vida social. MOOCs podem caber no seu universo. Seu próximo curso pode ser um MOOC, QUE TAL?
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Elen Collaço de Oliveira é mestre em Engenharia Eletrônica e Computação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA, atuando em detecção de falhas em sistemas de helicóptero. Durante esse tempo, expandiu seu conhecimento acadêmico em Tecnologia Educacional. Os interesses de pesquisa atuais incluem as áreas Learning Analytics, Aprendizagem Social, Learner-Computer Interaction e Reconhecimento de Padrões. Seu blog: www.elencollaco.wordpress.com .

sábado, 4 de outubro de 2014

Educação SEM Distância no CIAED 2014




Romero Tori falará sobre Educação sem Distância (ESD)
em duas mesas e uma palestra no CIAED 2014


Começa na segunda (6 de outubro de 2014) em Curitiba o XX Congresso Internacional ABED de Educação a Distância (CIAED 2014), o maior evento acadêmico-científico da área no Brasil. Neste ano serão apresentados 20 minicursos, 12 palestras "keynote", mais de 150 trabalhos científicos com apresentações orais, mais de 50 apresentações na forma de poster, dezenas de mesas redondas, palestras institucionais e exposições, entre outras atividades.

O programa completo do evento, contendo os horários e locais das atividades, ficou com mais de 100 páginas!!  Se você vai para esse evento terá um grande problema pela frente: decidir o que vai assistir e, pior, o que vai perder. Tem muita coisa boa. Aproveite! Se você não vai poderá acompanhar, aqui no blog e no "Grupo Educação sem Distância", um pouco do que está acontecendo aqui no blog e, posteriormente, poderá também acessar, no site do evento, os anais com todos os artigos apresentados.

Eu, mais uma vez, levarei a bandeira da "Educação sem Distância" (ESD) para esse importante encontro de EAD.  Farei isso apresentando uma palestra e debatendo em duas mesas redondas. Se você que acompanha este blog e vai o CIAED quiser participar dessas atividades anote aí em sua agenda os locais e horários abaixo relacionados.

Participe também trazendo informações, novidades e comentários sobre o que estiver acontecendo no evento, aqui na área de comentários do blog ou postando no Grupo Educação sem Distância, usando as hashtags #EducacaoSemDistancia,  #ESDnoCIAED ou #ESD2014.

Será também um prazer encontrá-lo (a) ao vivo. Estarei aguardando-o (a) no estande do Senac no dia 6, a partir das 18h.



Palestra: 
Vencendo distâncias, geográficas, culturais e transacionais, com tecnologia e metodologia 
6/10/14 - 16h00 às 16h55 - SALA 3
Romero Tori  

Em atividades educacionais é importante que se reduzam distâncias entre alunos e professores,  entre aprendizes e conteúdos, assim como entre os próprios estudantes. O emprego de recursos tecnológicos que propiciam interatividade – tais como realidade virtual, realidade aumentada, jogos, gestos e dispositivos móveis – pode contribuir para o aumento da sensação de presença e do engajamento do aluno, não apenas em cursos a distância como também em atividades presenciais em salas de aula. Mais importante que a tecnologia, no entanto, a metodologia é a chave para vencer distâncias com qualidade e eficácia no aprendizado.
Nesta palestra, apresentaremos uma visão panorâmica da adoção de novas tecnologias na educação, conceitos e preconceitos relacionados a EAD e novas tecnologias, a democratização do acesso à educação por meio da virtualização, a utilização de tecnologias digitais como recursos imprescindíveis nos processos de ensino e aprendizagem, a aprendizagem colaborativa, a mudança no modelo pedagógico no contexto da EaD e o novo papel de educadores e alunos. Encerraremos com uma discussão sobre impactos, desafios e os próximos passos das tecnologias e metodologias na EaD.


Mesa Redonda 
Design Instrucional para cursos online 1 (MR 3)
6/10/14 - 13h30 às 15h30 - SALA 9
          Paula Carolei - UNIFESP
          Julia Moreira Kenski - UNIFIEO & MACKENZIE Vani Moreira Kenski - FE/USP
          Romero Tori - USP & SENAC/SP
Coordenação: Paula Carolei - UNIFESP

Esta é a primeira de três mesas a serem apresentadas neste 20° CIAED – Congresso Internacional ABED de EaD - e que se articulam entre si, a partir do mesmo tema: Design Instrucional. Nesta primeira mesa serão expostas as questões básicas que norteiam a formação de um DI, ou seja, os aspectos conceituais relacionados às áreas de educação, tecnologia digital e gestão de projetos educacionais on-line e as articulações entre elas. Serão apresentados também aspectos relacionados ao futuro da profissão e os seus desdobramentos em novas áreas de atuação, de acordo com os avanços tecnológicos e as necessidades educacionais de cada contexto.


Mesa Redonda 
Educação sem distância e seu virtual futuro (MR 20)
8/10/14 - 13h30 às 15h30 - SALA 6
          Romero Tori - USP & SENAC/SP
          João Mattar - TIDD-PUC/SP & UAM
          Vani Moreira Kenski - FE/USP
          Paula Carolei - UNIFESP
Coordenação: Romero Tori - USP & SENAC/SP

Esta mesa traz reconhecidos autores e pensadores das tecnologias educacionais  para uma discussão sobre o virtual (nos dois sentidos: digital e potencial)  futuro da educação sem distância, à luz de tendências, experiências e estudos recentes no  uso de tecnologias interativas em atividades educacionais presenciais, a distância ou híbridas.

[ ATUALIZADO (21/11/14) ]:
Interessante o relato que Vinicius Lemos faz em seu blog (em inglês), em duas partes, sobre esta mesa.  Part 1 / Part 2

sábado, 20 de setembro de 2014

MOOC: Cursos online para as massas




MOOC (Massive Open Online Course) são, como o nome diz, cursos online abertos massificados. Grandes universidades de todo o mundo, incluindo USP, Unicamp e outras importantes universidades brasileiras já oferecem cursos nessa modalidade.  Em geral são gratuitos e emitem certificados, mediante pagamento.  O Brasil já tem plataformas MOOC, como o Veduca.

Esses cursos são fortemente baseados em videos, material auto-instrucional e fóruns de discussão, sem interação direta entre alunos e professores. Os índices de evasão costumam ser altíssimos (é muito fácil entrar, assim como sair) e nem todos se adaptam a essa forma de estudo. Mas é uma oportunidade para pessoas que, de outra forma, dificilmente conseguiriam assistir a aulas na USP, em Harvard ou outra grande universidade. Quem tem motivação e disciplina tem hoje uma grande vantagem competitiva. Bem diferente de quando a vantagem só tinha quem morasse em grandes centros e tivesse uma boa renda familiar.

Recentemente meus alunos de pós-graduação realizaram uma atividade espontânea e voluntária, na qual entrevistaram uma pioneira nesse setor, uma das criadores do Coursera, Daphne Koller de Stanford.


Vejam o video (LEGENDADO) da entrevista.




PS: em breve uma  novo post sobre este assunto, com o relato de experiências de quem já participou de cursos em plataformas MOOC.


domingo, 14 de setembro de 2014

EaD no Face discute "Educação sem Distância"



De 6 a 12 de setembro de 2014 conduzi discussões sobre tecnologias e redução de distâncias na educação realizadas na página "Ead no Face" .

"A página EaD no Face foi criada em outubro de 2013 com o objetivo de debater os mais variados temas da Educação e, em especial, da Educação a Distância, bem como o trabalho de profissionais de destaque na área." (Texto retirado da página "Ead no Face")

Veja a seguir uma síntese das postagens.


























quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Distância Transacional: a verdadeira distância na educação






Em meu post anterior citei a Teoria da Distância Transacional de Michael Moore. Para se ter uma verdadeira "Educação sem Distância" não basta vencer distância geográficas e temporais. Os alunos precisam sentir-se efetivamente presentes. Michael Moore nos ajuda a entender como reduzir esse "distanciamento psicológico". Conforme mencionado naquele post, seu artigo de referência está disponível em português e pode ser lido aqui.

Esse assunto despertou bastante interesse em meus leitores, que me pedem  para abordá-lo com mais profundidade. Resgato então um debate no qual discutimos a Teoria da Distância Transacional, com participação do público trazendo questões bem interessantes.

Traga também suas questões e contribuições para esse debate. Coloque-as no "Grupo Educação sem Distância".

ASSISTA: Debate sobre a Teoria da Distância Transacional.


domingo, 7 de setembro de 2014

Educação sem Distância via Hangout


Crédito da foto:
Instituto Universidade Virtual - Instituto UFC Virtual - Universidade Federal do Ceará



Por que Educação SEM Distância ? 

Porque as tecnologias já permitem há muito tempo quebrar barreiras físicas entre aluno e professor, aluno e conteúdo, aluno e colegas. A própria sala de aula é uma tecnologia que foi criada para quebrar essas barreiras e viabilizar a aproximação dos atores de uma atividade educacional.  Com a correspondência, rádio, TV, videoconferência, internet e, mais recentemente, dispositivos móveis, as possibilidades se expandiram, mas o princípio de se eliminar distâncias permanece. No entanto, há um tipo de barreira não física, que pode ocorrer tanto em sala de aula quanto numa atividade com participantes remotos.  Trata-se da distância transacional, apresentada neste artigo de Michael Moore, que se refere à percepção psicológica de barreiras em atividades de aprendizagem.

Michael Moore nos mostra que o diálogo e a autonomia do aluno são muito importantes para a redução da distância transacional. Dialogar e desenvolver atividades com participação e envolvimento dos alunos são ações que dependem muito mais da metodologia que da presença física. Alunos em sala de aula convencional, se privados de autonomia e diálogo, sentem muito mais distanciamento que quando interagindo, ainda que essa interação se dê entre participantes remotos.

Portanto, o que nós educadores precisamos ter em mente ao planejarmos nossas atividades educacionais é como obter uma Educação SEM Distância (transacional), tendo-se ou não distâncias físicas a vencer. "Educação a Distância" não traz no nome esse compromisso com a aproximação.

Para saber mais sobre "Educação sem Distância" ( EsD ), se atualizar com as inovações no uso de tecnologia na educação e trocar informações com outros interessados no tema entre no

Grupo "Educação sem Distância" no Facebook: 
https://www.facebook.com/groups/educacao.sem.distancia/


Videoconferência é presencial ou a distância ?

Costumo ser convidado para apresentação de palestras em lugares distantes. Alguns, ainda que não sejam muito afastados no espaço, possuem barreiras de tempo (agenda) ou mobilidade (trânsito). Fico sempre muito feliz com tais convites e me esforço para atendê-los, mas, infelizmente, nem sempre consigo. Uma das alternativas que às vezes ofereço é a videoconferência, até porque, em geral, minhas palestras versam justamente sobre uso de tecnologia para redução de distâncias. O interessante é que dificilmente essa ideia é bem recebida por organizadores de eventos...

       - Sabe, professor, é que o evento é presencial...

       - Ok.  Pretendo estar presente e ao vivo, ainda que a quilômetros de distância.. a temática do evento não é EaD ?

       - É que o público tende a se dispersar e se desinteressar quando a palestra é por vieoconferência..

       - Bem, "desinteresse e dispersão" não é uma exclusividade de atividades a distância...

       - Entendo professor, mas pode haver problemas técnicos...

       - Problemas técnicos ocorrem também localmente..já perdi uma viagem porque o evento teve problemas com a infra-estrutura e foi adiado...

       - Professor, tem também o jantar de confraternização e o passeio no final de semana..

       - Fechado! 


Reduzindo distância transacional em videoconferências

Recentemente fui convidado para uma apresentação num importante evento ( I Encontro de Educação Aberta e a Distância do Ceará ) mas fiquei frustrado quando percebi que haveria conflito de agenda. Já meio resignado com a provável impossibilidade de participar tentei, meio sem esperança, sugerir a videoconferência. Fui surpreendido com uma boa receptividade à ideia por parte dos organizadores. Aproveitei para falar, na palestra, da própria ferramenta (Hangout) usada na atividade.  Convidei a Profa Vera Queiroz, doutora na área de tecnologia na educação e experiente no uso do Hangout, a participar comigo da atividade.

Contando com o apoio da organização, que atendeu todas as minhas solicitações, foi possível realizar um gratificante encontro com a comunidade de EaD do Ceará.  A foto que encabeça este post é um flagrante do evento, que mostra como os participantes não estavam desinteressados nem dispersos. Veja que quem não está me olhando está voltado para o mesmo alvo de meu olhar, a pessoa do auditório (não mostrada na foto) com quem eu interagia no momento.  Para reduzir a distância transacional procurei interagir logo de início com os presentes. Um pequeno truque, permitiu que eu olhasse para as pessoas presentes (uma coisa que dispersa em video conferrências é o palestrante olhar para um lado, ou para cima, e o alvo de sua fala estar em outro ponto).  Abrimos três conferências, entre três pares de computadores diferentes. O primeiro transmitia meu vídeo para o telão principal. Os outros dois me davam uma visão completa do auditório, em dois monitores colocados à minha frente em ângulos e altura calibrados para  que, ao olhar para um determinado ponto num dos monitores, meu olhar no telão se voltasse para esse mesmo ponto no auditório.  Um quarto notebook apresentava os slides de minha palestra.

Apesar de termos utilizado vários computadores, esses poderiam, sem problema algum, ser substituidos por simples smartphones ou tablets. O recado que passei aos presentes: hoje a escola precisa se preocupar mais em oferecer a melhor conexão de internet possível do que em montar laboratórios de informática. precisa também aplicar metodologias que dêem autonomia e propiciem diálogo com os alunos. Os jovens já sabem usar muito bem a tecnologia e muitos possuem smartphones, tablets ou notebooks. Armar uma atividade presencial a distância com os próprios autores que estão sendo estudados pelos alunos é uma entre infinitas possibilidades que se abrem.

Aqui estão os slides e o video da palestra: "Educação sem Distância via Hangout".


A Ferramenta Hangout

Certamente o Google Hangout não é a única nem, necessariamente, a melhor ferramenta para webconferência ou videoconferência. Mas, além de gratuita e robusta, reúne uma série de características que a tornam muito atraente. É possível ter até 10 pessoas participando simultânea e diretamente da videoconferência (todas com acesso a recursos comuns em webconferências, como chat e compartilhamento de telas e aplicativos) e um número ilimitado de pessoas assistindo (e interagindo por mensagens de texto) via Youtube. E ao final, toda a atividade fica automaticamente gravada e disponibilizada em seu canal do Youtube. Possui também uma série de plugins (e novos chegam a cada dia)  que acrescentam funcionalidades muito interessantes e úteis.

Abusando um pouco mais de nossa amizade  pedi à Vera Queiroz que produzisse um pequeno tutorial para os leitores deste blog que quisessem se iniciar no uso do Hangout. Ela, como é de seu perfil, produziu um material caprichado. Aproveite:

       





domingo, 31 de agosto de 2014

Tecnologia na Educação: saiba o que vem por aí




Saiu a edição 2014 da Horizon Report (Higher Education Edition) . Trata-se de uma conhecida e respeitada publicação do New Media Consortium .  Para quem não sabe essa publicação anual faz uma análise das tendências da adoção de tecnologias na educação, no curto, médio e longo prazo.

A publicação é tão rica que este ano decidi convocar uma equipe formada pelos alunos da disciplina de pós-graduação da Escola Politécnica da USP "PCS 5757 - Tecnologias para Educação Virtual Interativa", ministrada, em parceria, pela Profa Itana Stiubiener  e por mim. Essa equipe analisou a fundo os conteúdos, referências e estudos de caso que aparecem na publicação e no dia 23 de abril de 2014 realizaram uma resenha coletiva e interativa, moerada por mim e pela Vera Queiroz. .

Assista ao video desse evento acessando este link  ou clicando abaixo.
Coloque suas dúvidas e comentários na página do evento, no youtube ou aqui.



Extra: 
Stanford University - Co-fundadora do Coursera 



Materiais das apresentações:

Estudante Autor
Ebenezer Takuno de Menezes

Inovação
Marcelo Tetsuhiro Sadaike 

Viviane Gabriel Ferreira

Gustavo Novaes da Cruz

Vladimir Emiliano Moreira Rocha

Analytics PPT Video
Leandro Luque

Eduardo Barasal Morales

Dragica Stefanovic



sexta-feira, 20 de junho de 2014

Evento na USP discutiu Educação Aberta, Sociedade e Tecnologia



Assista ao video integral do evento aqui

Algumas imagens do evento aqui

Site do evento

Cenário
As tecnologias de informação e telecomunicações têm alterado o modo de vida das pessoas e criado novos costumes e facilidades que estão resolvendo muitos dos problemas do dia a dia, mas têm trazido em seu bojo novos problemas como os ligados à segurança das pessoas e negócios, à privacidade, à propriedade intelectual etc. O Centro de Estudos Sociedade e Tecnologia (CEST) foi criado na Universidade de São Paulo em Dezembro de 2013 a partir de doações da Microsoft para discutir essas questões complexas e propiciar encontros, envolvendo os desenvolvedores, os pesquisadores, a sociedade e o governo de forma a estruturar essas e outras questões importantes e gerar respostas ou propostas adequadas, pavimentando o caminho para soluções que passem pelos costumes, pelas normas ou pelas aplicações desenvolvidas. Alguns conceitos transversais a todos esses temas como as aplicações em educação online, moedas criativas, Internet das Coisas etc. são, todos, temas com potencial de serem problemas ou soluções de grande abrangência e complexidade além de serem, também, de interesse geral do corpo social.
Objetivos e participantes
O CEST esta iniciando suas atividades em um evento que congrega a academia internacional e outros agentes envolvidos na educação aberta considerado tema chave para os avanços societários, tanto em termos de desenvolvimento econômico quanto de inclusão social.
O evento visa:
·         Lançar o projeto eMundus (www.emundus-project.eu) no Brasil, compartilhando desde o início os planos do Projeto com a comunidade de Educação Aberta do Brasil.
·         Discutir o estado da arte da Educação Aberta no Brasil em termos de políticas, práticas e desenvolvimento inovador.
·         Dar início à preparação de um artigo que representa a posição brasileira na Educação Aberta internacional e nos debates sobre Recursos Educacionais Abertos que é adotado pelo eMundus.
Tomando parte no evento, especialistas brasileiros de REA (Recursos Educacionais Abertos), assim como uma equipe de pesquisadores do projeto eMundus, financiado pela Comunidade Europeia em seu programa Erasmus Mundus que congrega pesquisadores numa rede internacional representativa das diversas regiões do mundo. Através do projeto eMundus haverá a participação dos parceiros: MENON Network (Bélgica), Universidad Autonoma Metropolitana (México) , OER Foundation (New Zealand).
Como resultado desse evento inicial, serão gerados artigos de posicionamento e abertas linhas de discussão em fóruns com a participação internacional.

Agenda

Quinta-feira, 15 de maio de 2014

8.00:      Registro e Café da Manhã

9.00:      Boas-vindas e Abertura dos Trabalhos, Jose Roberto Piqueira, Diretor da Escola Politécnica da USP
Apresentação do Seminário, Edison Spina, USP
                Apresentação do projeto eMundus, Fabio Nascimbeni, MENON, Bélgica
               
09.30:    Painel: Educacao Aberta na América Latina  (Moderação: Romero Tori)
-          Mapeamento de iniciativas REA no Brasil e na América Latina, Tel Amiel e Everton Alvarenga (uma parceria da Open Knowledge Brasil, Unicamp e Insituto Educadigital)
-          Recursos educacionais abertos no Brasil: o campo, os recursos e sua apropriação em sala de aula, Jamila Venturini, Programa Catalisador da Wikimedia no Brasil.
-          Política pública de educação para REA no Brasil, Débora Sebriam e Priscila Gonsales - Instituto Educadigital
-      Recursos abertos em formato de games e gamificação de recursos abertos.  Paula Carolei. UNIFESP

11.00:  Coffee Break

11.30:  A Experiência da Escola do Futuro da USP, Fredric Litto (fundador da Escola do Futuro e Presidente da ABED), 

12.30:    Almoço

14.00:    Painel: Barreiras e Soluções para Adoção de Educação Aberta (moderacao: Priscila Gonsales)
-          Plataformas de recursos abertos Teresa Cristina Jordão,   Tic Educa  (a confirmar) 
-          Openness as a Tool, Xavier Ochoa, Escuela Superior Politécnica del Litoral, Equador
-          Open Education developments in Mexico. Celso Garrido, UAM, México.

16.00:    Coffee break

16.30:    Keynote speeches (videoconference):
-          Iniciativas de Educação Aberta e política pública nos vários países,  Carolina Rossini - Public Knowledge
-          Issues at stake for OER and Open Education,  Wayne Mackintosh OER Foundation, New Zealand
-          Questões e discussões

18.00:   Lançamento do Centro de Estudos Sociedade e Tecnologia e do Projeto eMundus
-              Edison Spina
-              Luiz Natal Rossi
-              Maristela Bassos
-              Paulo Roberto Feldmann
-              Fabio Nascimbeni

Sexta-feira, 16 de maio de 2014
8.00:      Café da Manhã

9.00:  Keynote Speeches      
        
- A Educação Aberta na Europa e no Brasil: perspectivas políticas e práticas  (Open Education in Europe and Brazil: political and practical perspectives), Andreia Inamorato, IPTS, European Commission (videoconference)

- MOOCs: de onde viemos e para onde estamos caminhando, João Mattar -  PUC-SP e Universidade Anhembi Morumbi


10.00: Painel dos “Experts”:  Perspectivas para a Educação Aberta (moderação:  Romero Tori)

- A Educação Aberta na perspectiva da  ABED  - Stavros P. Xanthopoylos,  FGV, ABED

- A Educação Aberta na perspectiva da  Veduca  Carlos Souza, Veduca

- A Educação Aberta na perspectiva da Akatu Silvia Sá, Akatu

11.00:    Coffee Break

11:30 - 12:30   Conclusões e próximos passos
-          A perspectiva Acadêmica:  Romero Tori
-          A perspectiva  eMundus: Fabio Nascimbeni
-          A perspectiva CEST: Edison Spina

12.30:    Encerramento do evento público

14:00 - 18:00 Reunião do Projeto eMundus (PMB - Project Meeting Board Meeting)
               
           




quinta-feira, 12 de junho de 2014

Os Limites do Virtual na Educação Real



Link para Video da Palestra
Link para Entrevista após a palestra

Grupo "Educação sem Distância" no Facebook: 

Recentemente apresentei uma palestra no Senaed 2014 e uma versão expandida na USP, cujo título é o mesmo deste post.  Dada a receptividade, interesse e repercussão dessa discussão, que está longe de chegar a uma conclusão, publico aqui o video da palestra, referências e informações adicionais sobre o assunto "virtualização da educação". Conto também com sua participação, caro leitor. Envie seus comentários, questões e contribuições.

A virtualização das mídias é fato inexorável. Filmes fotográficos , CDs, DVDs já se encaminham para acompanhar os discos de vinil nas mãos de saudosistas e colecionadores ou em acervos  de museus.  Até mesmo os livros impressos, que muitos consideravam, e alguns ainda consideram, insubstituíveis perdem espaço para a digitalização. As salas de aula também se virtualizam e novos paradigmas, como MOOC, SPOC, sala de aula invertida, conectivismo e blended learning, disputam espaço com a lousa, o giz e até mesmo com o PowerPoint e datashow . As tecnologias interativas, com destaque para os games, a realidade virtual e a realidade aumentada, passam a fazer parte da caixa de ferramentas de professores preocupados em não se distanciar dos alunos das gerações interativas.  Mas quais seriam os limites do virtual na educação ?  Para começar precisamos discutir, afinal, o que é o virtual ? Quais seriam os principais paradigmas tecnológicos com potencial de impactar a educação nos próximos anos e analisaremos os limites dessa virtualização. Será que qualquer conhecimento pode ser ensinado e aprendido por meios virtuais ?  

Ao final da palestra concluo que não há limites para o virtual na educação, mas há obstáculos. Alguns desses obstáculos são listados a seguir.

Desafios tecnológicos:
        Inteligência Artificial (IA)
        ergonomia e conforto
        qualidade da informação
        personalização
        humanização
        sentimento de comunidade

Desafios metodológicos:
       conteúdos
       atenção & foco
       mediação
       avaliação
       modelos pedagógicos
       capacitação docente
       motivação & engajamento do aluno

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Referências: 
     Pierre Lévy. O que é o Virtual ?
     Tori, Romero. Educação sem Distância.
     Sutherland, Ivan. The Ultimate Display
     Oculus VR
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