Khan Academy: O velho travestido de novo ?



A menos que tenha feito uma viagem a Marte recentemente, você leitor envolvido com a área de educação já deve ter, no mínimo, ouvido falar da Khan Academy.  Trata-se  de uma organização sem fins lucrativos, que oferece bons conteúdos na forma de vídeo-aulas, além de exercícios  e um programa que permite ao aprendiz acompanhar a evolução de sua aprendizagem. Em 2004 Salman Khan, após ter produzdo video-aulas  para ensinar matemática a seus primos e colhido enorme sucesso quando  passou a disponibilizá-las via youtube, decidiu criar a Khan Academy. Sua iniciativa vem obtendo resultados e reconhecimento ao redor do mundo. Bill Gates é um dos entusiastas dessa forma de material complementar de aprendizado, que é utilizado por seus próprios filhos. Bill Gates passou a ser também patrocinador da Khan Academy, assim como outros empresários, empresas, escolas e até mesmo pessoas comuns, por meio de doações. O site já passou de um milhão de usuários por mês.

Velhos modelos ?

Na essência as video-aulas de Khan são aulas expositivas. Até o quadro negro é reproduzido, com a explicação do professor em áudio. Os exercícios e o sistema de avaliação lembram os velhos  "estudos dirigidos". Khan não tem formação em pedagogia (é matemático, engenheiro e cientista da computação, com mestrado pelo MIT e MBA por Harvard). Sua "descoberta" foi basicamente empírica. O sucesso ocorreu por seleção natural, viabilizada pelas facilidades que hoje existem para o compartilhamento de vídeos via internet. A falta de maior embasamento teórico e a repetição de modelos antigos "travestidos de novos" são as críticas mais frequentes vindas de educadores e teóricos da educação.

Motivado pelo sucesso dessa iniciativa mas, ao mesmo tempo, preocupado com a unanimidade - em geral "rodrigueanamente burra" - da mídia, e instigado pelas críticas de alguns educadores, faço aqui algumas reflexões.

Gostaria também de ler sua opinião, sua crítica  e suas ideias, leitor. Por favor, compartilhe-as na área de interação do blog ou no Grupo "Educação sem Distância" do Facebook.

Começo por criticar a critica. Afirmar que algo é ruim simplesmente porque é velho soa preconceituoso. Os modelos de Piaget, Vigotsky, Dewey e Freire, para citar apenas alguns de nossos ídolos, não podem ser chamados de novos. Mesmo assim continuam a ser (re)descobertos todos os dias em projetos educacionais inovadores. Se um modelo continua funcionando não precisa ser substituído apenas porque ficou "velho".

A aula expositiva tradicional

Então vamos entender porque o modelo expositivo tradicional não funciona. Não funciona porque não atende necessidades individuais (os alunos possuem ritmos, interesses e formas de aprendizagem diferentes, mas nesse modelo o professor segue um ritmo médio e padronizado). Não funciona porque não privilegia a interatividade, a discussão, a construção do conhecimento. Não funciona porque os alunos não têm autonomia e, portanto não há uma das condições necessárias para a motivação intrínseca (saiba mais sobre motivação lendo o excelente livro "Why we do what we do"). Não funciona porque damos as respostas antes de os alunos terem formulado as perguntas em suas cabeças.

Bem, daria para prosseguir com vários outros problemas, dentre eles o baixo aproveitamento do potencial do professor em sala de aula (o professor repete aulas como papagaio, muitas vezes com entusiasmo e qualidade decadentes ao longo do tempo) e a pouca - ou nenhuma - exploração do enorme potencial que a sala de aula oferece para as interações aluno-aluno, aluno-professor e aluno-conteúdo.

Entendendo o modelo "Khan"

Entendidos os principais aspectos do problema podemos analisar melhor as alternativas de solução. Mas antes vamos ver a explicação do método Khan, dada por ele mesmo.




Podemos ver, então, que ele realmente usa métodos antigos, porém de forma totalmnte nova. Por que então funciona ? Funciona porque atende necessidades individuais (os alunos podem pausar, repetir ou pular o professor, sem se sentirem intimidados, e de acordo com seu ritmo de aprendizagem). Funciona porque introduz a interatividade num modelo que era totalmente passivo. Funciona porque os alunos  têm autonomia e, portanto uma das condições necessárias para a motivação intrínseca.  Funciona porque o aluno vais atrás de respostas às dúvidas que vão surgindo em suas cabeças.

Dessas constatações e experiências surgiu a ideia da "aula invertida" (flipped class), trocando-se a aula expositiva em sala de aula pelas vídeo-aulas em casa e as atividades de consolidação do conhecimento, antes realizadas na forma de "lições de casa" por aulas interativas e práticas, supervisionadas pelo professor, em sala de aula. Assim as atividades ficam mais dinâmicas e motivadoras, para alunos e professores, com aproveitamento de todo o potencial que a sala de aula oferece para as interações aluno-aluno, aluno-professor e aluno-conteúdo. Também fica mais fácil para o professor dar atendimentos personalizados, além de acompanhar o desenvolvimento das atividades dos alunos no ambiente virtual (graças às ferramentas disponíveis para esse fim).

Khan Academy no Brasil

Paro minhas reflexões por aqui, aproveitando para dar uma boa noticia (para quem não sabe ainda).: a Fundação Lemann está trazendo a Khan Academy e, obviamente, traduzindo as video-aulas, além de fazer parcerias com várias escolas e ajudando-as a implantar o método Khan. Saiba mais sobre essa iniciativa acessando este link.

Assista abaixo a um exemplo de video-aula sobre como transformar frações em decimais, já traduzido para o português.





Continuando as discussões

Esse assunto está longe de se esgotar. Enquanto escrevia, várias questões iam surgindo na minha cabeça, como a "gamification" dos tão  criticados "estudos dirigidos", as questões culturais que contribuíram para o sucesso do método Khan (hoje a nova geração vai ao youtube procurar respostas para suas dúvidas com a mesma naturalidade que as gerações antigas recorriam a pais e professores), ou o poder da interatividade, ainda que seja apenas o poder de parar e rever ( aula na televisão era uma chatice para a gerações baby boomer e X, já aprender qualquer coisa no youtube é cool para as gerações Y e Z )  (*).

Passo então a você, leitor, o bastão para a continuidade dessa instigante discussão, podendo retornar a esse assunto, revigorado pelas ideias e críticas de vocês, em futuros posts. Até breve.

PS: a respeito desse mesmo assunto sugiro a leitura desta matéria da Carta Capital. Lá também está rolando uma interessante discussão no espaço para opinião do leitor (meus agradecimentos ao Nilton Machado, da Sciencia, pela dica).

PS2: Veja matéria sobre Aula Invertida que saiu na Revista Exame.

(*) veja mais sobre gerações neste meu outro post.


Comentários

  1. Parabéns pelas saudáveis relexões, Romero!

    O público em geral na educação parece ainda não conhecer a fundo o projeto do Khan. É muito importante mesmo que ajudemos nesse processo!

    Abraços!

    Nilton

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    1. Olá Prof Nilton , sou cunhada do Homero e estou muito interessada nestas mudanças tecnológicas e usa-las para fazer o aluno se aproximarem mais do pensamento matemático e tirar a ideia de que matemática é chata, tenho idéias e sonhos mas não tenho nada concreto ainda, gostaria de pedir sua colaboração ou seus conselhos.

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  2. Obrigado pelos comentários, Nilton.

    Também gostei de suas reflexões na seção de opinião do leitor da matéria da Carta Capital(link abaixo).

    http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/o-velho-modelo-disfarcado-de-novo/#comment-264375

    Abs
    Romero

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  3. Olá Romero,

    Ótimas considerações.

    O que tenho observado é que para alguns assuntos, os alunos gostam sim de momentos expositivos, especialmente se estes forem aplicados de forma on-demand, quando os alunos estão prestes a aplicar ou descobriram a necessidade de um conceito.

    []s

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    1. Perfeito Fábio. Expor quando os alunos estão interessados em ouvir é o segredo do sucesso. Para isso precisamos incentivá-los a terem dúvidas e nunca respondê-las previamente. Colocar problemas em vez de adiantar soluções.

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  4. Fábio, um ponto que considero importante é como o conteúdo é organizado para as exposições do Khan.Depois de dominar algumas tecnologias uma das questões que se coloca na área de ensino é a organização dos currículos, como organizar os conteúdos para o ensino e como torná-los acessíveis para os alunos.
    Abraços,
    Ivete Palange

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  5. Muito bem colocada a questão sobre os diferentes tipos de aprendizagem, as vídeo aulas são um excelente material complementar,
    porem a sala de aula traz diversos momentos de aprendizagem que podem ser explorados.
    Aqui no Brasil temos o Prof. Neri Neitzke (www.youtube.com.br/nerineitzke) que ja produziu mais de 4500 video aulas direcionadas
    ao ensino de informatica.

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    1. Obrigado pela contribuição, Roger. Vou analisar o materiak do Prof Neri e, eventualmente, colocar aqui minhas impressões.
      Abs

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  6. Olá queridos,
    Podemos discutir por horas sobre a questão da tecnologia na educação e estamos longe de integrar opiniões unanimes, falo como professora de Informática Educativa e Tutora, trabalho com estas 2 modalidades, e percebo que a maioria dos professores ainda trabalha como se estivessem na Web 1.0, são cobrados na base da Web 2.0 e possuem alunos na Web 3.0.
    Os professores já tiveram tempo de quebrar os novos paradigmas e perceberem que a mudança já esta na hora de acontecer, temos um número mínimo que se identifica com o uso da tecnologia e um enorme número deles que conhecem mas não sabem implementar, desconhecem e uns que tem total aversão.
    Estou vivendo uma situação em que hoje eles estão sendo obrigados a usarem a tecnologia na sua prática pedagógica, me deparo com relatos em que professores ainda se acham os expert em tecnologias, pois usam apresentações lineares de slides e Datashow e não conseguem visualizar outras opções para chegarem ate seus alunos, como atividades que realmente promovam a pesquisa, a construção do conhecimento.
    Para nós, com maior afinidade com a tecnologia esta pratica ainda é muito baixa, perto do que podemos ter, na velocidade em que o conhecimento é inserido no mundo tecnológico, nas novidades pedagógicas, nos objetos de aprendizagem, recursos educacionais abertos, blogger, redes sociais, para nós estas palavras são bem conhecidas e comuns, mas para a maioria dos nossos professores não, elas significam barreiras, obstáculos, cobranças.
    Muito se discute da qualidade dos vídeos do Salman Khan, e da maneira como estão sendo inseridos nas atividades escolares, dai me questiono, como dizer o que é certo ou errado, o bom ou ruim? Será que uma crítica a este professor que se esforça para incluir suas práticas pedagógicas a questão tecnológica não se tornaria um fator desmotivador? Verifico que uma proposta de solução não esta em promover cursos e oficinas básica, e sim como fazer, proporcionar ideias, divulgar situações. Podemos sim usar os vídeos, imagens, textos, blogger, precisamos sim motivar este professor a perder o medo, a ver que ele tem um grande potencial, afinal é ele quem está mais próximo da realidade do aluno, senão para que distribuir tantos recursos como tablets, computadores, notebooks e não haver a real inserção na educação.
    Métodos antigos? Acho que podemos falar de adaptações, precisamos ter a consciência dos estilos de aprendizagem, do tempo de amadurecimento, do crescimento intelectual, todos estes fatores são totalmente individuais e somos obrigados a nos desenvolver coletivamente, e sem deixar de reforçar que tem determinados conteúdos que se tornam inviável de usar tecnologia, diria até que precisaria de mágica.
    Se temos tanta coisa melhor no Brasil, porque não divulgar? Mostrem, vamos começar uma promoção, ou melhor uma valorização da prata da casa, temos o “poder” de disseminar, de informar, de repassar, ou melhor socializar, vamos expor ao público os grandes construtores do saber digital nacional, para que ele tenha a mesma oportunidade nas redes.

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    1. Cara Janaina.
      Você traz reflexões importantes. Penso que deveriamos usar com os professores "desatualizados" e "desmotivados" as mesmas técnicas que usamos com nossos alunos 3.0, para que eles vivenciem a sensação de aprender coisas novas construindo conhecimentos e com motivação intrínseca. Vejo que muitos cursos de formação de professores para as novas tecnologias na educação usam ferramenats e métodos da educação 2.0.
      Abs
      Romero.

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    2. Oi gente,

      Falando da mudança do professor...concordo com vcs, e tb,me parece que a maior dificuldade nessa transição é realmente a de uma mudança de atitude perante o aluno e seu processo de aprendizagem.

      Há processos que não são intelectualmente transmissíveis, e requerem uma forma de aprendizagem significativa, na própria experiência - como o Romero sugeriu, precisamos propor experiências que justamente demonstrem a eficiência desses novos métodos.

      Quantas vezes não vemos especialistas dando cursos sobre aprendizagem autônoma, por exemplo, de forma absolutamente expositiva?

      Abraços!

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    3. Isso mesmo Nilton. Já me peguei fazendo isso ... rs..

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  7. Oi prof. Romero Tori, tudo bem?

    Penso que a videoaula deve ser vista como um objeto de aprendizagem, mais um recurso para auxiliar o processo de ensinagem. No modelo de Khan, acredito que o método "funciona" como um reforço escolar e não substitui os demais recursos na educação que contemplam os demais estilos de aprendizagem.

    Um abraço a todos e parabéns pelo blog!
    Patricia Rodrigues

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    1. Obrigado, Patricia.
      Você destaca um ponto muito importante. As video-aulas permitem que o professor tenha mais tempo para utilizar os "demais recursos", principalmente aumentando as interações aluno-aluno e aluno-professor.
      Abs
      Romero.

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  8. Muito boa a reflexão proposta. Romero. Concordo com você e com a Janaína: 1) o velho não é necessariamente; 2)é preciso adaptar e combinar. Adaptar-se a si mesmo, às novas formas de comunicação, adotar as mídias e incorporá-las à sala de aula e, por que não, ao estudo e pesquisa individuais. Sempre saliento a importância do texto de circulação social no ensino de línguas (seja materna, seja estrangeira). Há muitas fontes boas e disponíveis de textos de via internet (entre outras, este canal). O importante é saber escolher, não cair no simplismo, como oferecer tablets na sala de aula e usá-los como cadernos, transformar tudo em uma apresentação de power point, usar um jogo sem conteúdo nem proposta. Os vídeos de Khan (e outros) vão ajudar se usados no momento certo, combinados com outras formas de aprendizagem, como qualquer outro recurso. Já assisti comunicações acadêmicas motivadoras e envolventes que não contavam com mais do que a voz do palestrante; outras, com muita forma e pouco conteúdo, tediosas.

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    1. Obrigado, Patricia.
      Por trás de uma boa aula está um bom planejamento pedagógico. As midias apenas podem, se bem utilizadas, facilitar a execução desse planejamento.
      Grande abraço.
      Romero

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  9. Não sou pedagogo, mas dada minha experiência pessoal, é inegável que o método Khan funciona, seja ele velho ou novo ou regurgitado ou não (tenho usado as aulas de matemática para re-aprender ou aprender conceitos que nunca tive nenhuma introdução teórica, ou que nunca compreendi direito).

    Acho que a vantagem é muito mais do que "ser cool por ser no Youtube". É não só pausar e recomeçar, mas também o fato de poder engajar em discussões (ou fazer questões) na seção específica que acompanha cada vídeo. É poder decidir o próximo tópico, ao invés de ter de seguir uma linha imposta pelo programa da escola (apesar dos tópicos estarem mapeados hierarquicamente). E a parte de "gamification" realmente funciona; o que me faz voltar e assistir os vídeos e praticar os exercícios é saber que vou ganhar mais uns pontinhos, é querer marcar todos os vídeos como assistidos e todos os exercícios com 100% de aproveitamento. Do ponto de vista racional, eu poderia dizer que é algo completamente imbecil, e que o objetivo final deve ser o aprendizado (e é). Mas do ponto de vista prático, como objetivo de curto prazo, os pontinhos e medalhinhas funcionam; eu tenho orgulho de ver os gráficos de meu progresso. Eu nem faço uso de nenhum componente social do site, mas ainda assim me sinto bem de saber que atingi algum objetivo arbitrário. Imagino que para gerações mais jovens isso seja ainda melhor: torna o resultado abstrado do aprendizado mais concreto.

    Do meu ponto de vista, 99% das críticas ao modelo do site partem de quem está com medo de ver o modelo de ensino tradicional substituído por algo diferente. Sentimento normal, mas que não justifica os argumentos. Ambos têm seu espaço, obviamente, mas considerando as horas que gastei no site nos últimos 4 anos, este novo modelo veio pra ficar e seu uso vai só aumentar no futuro.

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    1. Caro Zeh.
      Muito interessante seu relato. Enriqueceu bastante nossas reflexões.
      Abs

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  10. Acho que a essência está em partir do perfil e das necessidades do aluno para as estratégias e recursos educacionais, minha impressão é que está acontecendo exatamente o contrário... Pouco tenho ouvido falar do aluno...
    Por que não se aplicar ideias antigas a contextos novos? Mas creditando a quem as concebeu...
    Minhas homenagens a Ovide Decroly... Tão aplicado e tão fora das autorias...
    http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-praxis-pedagogicas/GRANDES%20MESTRES/ovidedecroly.pdf
    Abraços
    Márcia Lygia

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    1. " A escola (tradicional) engorda fisicamente e entorpece mentalmente”

      Ovide Decroly.

      Valeu, Márcia, pela excelente contribuição.

      Abs
      Romero.

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  11. O conceito do hypervideo é bastante interessante... Hypertext... Hypervideo... Hyper Learning... Achei o conceito que buscava... Hyper Learning... Combinando Decroly com hyper learning, acho que podemos propor algo interessante...

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    1. Registra logo..rs..
      Gostei do nome, agora precisa definir melhor o cocnceito..
      Abs
      Romero.

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  12. Caro Romero,

    parabéns pela iniciativa. É bom ver uma discussão tão entusiasmada.

    Gostaria de fazer um comentário sobre o assunto, que não vi abordado diretamente nem no seu texto, e nem nos comentários.

    Nenhum formato de aula, ou até de educação, pode ser proposto sem se levar em consideração a idade do aluno para o qual está se propondo o formato. Cada faixa etária tem suas próprias características e eu acho que nada substitui a convivência escolar antes do ensino médio. A partir do ensino médio, talvez, a tecnologia pode ser útil, sim. Principalmente pelas crianças estarem cada vez mais "conectadas". Mesmo assim, fico muito preocupado com o isolamento físico, cada vez maior, que a tecnologia induz.

    Grande abraço!

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    1. Caro Roberto.

      Obrigado pelos comentários!

      A aula invertida vai ao encontro de suas corretas preocupações com as crianças, pois o professor pdoe dar mais atenção a elas em sala de aula (em vez de ficar ministrando aulas expositivas) , motivando-as para o aprendizado.

      Quanto às crianças usarem tecnologia, há realmenet o problema do isolamento físico, mas não o isolamento social.. elas interagem e se socializam muito através da tecnologia...

      Grande abraço!
      Romero

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  13. Romero, Roberto e colegas,

    Não me parece que haverá mais ou menos isolamento físico. Observo que precisamos agregar a tecnologia às nossas práticas educacionais, para aproveitarmos melhor os "encontros" ou aulas presencias.

    Utilizamos muito pouco os recursos utilizados e incorporados por nossos alunos no dia a dia.

    Romero, de forma simples e clara, você me trouxe a razão para as aulas na web serem tão procuradas, quando falamos tanto sobre a autonomia do aluno. Obrigada. Também apresemtou uma relação importante entre as aulas expositivas, a possibilidade de serem revistas e o conceito de sala invertida.

    Fiquei pensando que o conceito de sala invertida faz com que possamos aproveitar os encontros presenciais para atividades voltadas para análises, interações e fomentar o afloramento do conhecimento do grupo.

    Para tanto, é necessário que façamos muitas perguntas: Como posso aproveitar o encontro presencial para contextualizar o texto estudado, o cálculo realizado e assimilado pelo Prof. Khan, por exemplo?

    E o vídeo assistido?

    Como posso provocar o vivenciar do tema?

    O que posso propor como estratégia para fomentar o aprendizado para a ação, para a vida?

    A proposta é aproveitar melhor a presencialidade, potencializar a construção do conhecimento e usar a tecnologia para isso.

    Grande abraço, Ritze

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    1. Olá Ritze.

      Obrigado pelos comentários e contribuições.

      Nos momentos presenciais pode até acontecer aulas expositivas, mas pdoem ocorrer debates, esclarecimentos de dúvidas, desenvolvimento de projetos, aplicações do que foi aprendido em casa etc.. O segredo da aula invertida não é quais dinâmicas aplicar em sala de aula, mas apresentar respostas (ou, principalmente, ajudar os alunos a encontrá-las) em função das perguntas que eles trazem. No método não invertido dáva-mos as respsotas e depois as perguntas (exercícios e trabalhos para casa).
      Grande abraço!
      Romero.

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  14. Olá pessoal,

    Mecânicas de jogo, que hoje recebem o emblema de Gamificação, são ferramentas que estão tendo bastante sucesso no contexto da aula invertida, aprendizagem embasada em projetos, ou mesmo a aprendizagem centrada no aluno.

    Alguns estudos comprovam o aumento do estado de fluxo (flow) durante atividades gamificadas ou mesmo no contexto de um game.
    Nesse contexto, outros fatores substituem a tradicional "ameaça" percebida pelo aluno no fracasso escolar, e a experiência mobiliza o prazer em aprender. Sabe aquela concentração intensa da molecada quando jogam video-games? É isso o que buscamos ao tentar gamificar atividades de aprendizagem.

    Concordo 100% com o que o Romero falou, qdo invertemos a aula estamos mobilizando competências e habilidades cruciais no século XXI, dando destaque especial à pesquisa e autonomia.

    Acredito tb que a inversão da aula possa potencializar qualquer tipo de aula, seja de preparação para o vestibular, onde os alunos se concentrariam principalmente em resolver exercícios na sala de aula e se ajudarem no processo, e tb onde o professor atuaria como facilitador do processo e esclarecendo duvidas, ou mesmo aulas em forma de debates ou projetos. A aula em si fica mais viva. Aproveitamos melhor a quantidade de pessoas reunidas.

    Vcs viram que grandes universidades ao redor do mundo (Harvard, MIT, Stanford, Universidade de Toronto, etc..) estão colocando todo o seu conteúdo online gratuitamente? O grande diferencial agora está justamente em nossas aulas presenciais...

    Abraços a todos!

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    1. Caro Nilton.

      Você traz informações e considerações muito importantes. Obrigado.

      PS: a seção de comentários já está maior e melhor que o próprio post que a originou; acho que estamos criando o conceito de "blog invertido" rsrsrs

      Grande abraço.
      Romero.

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  15. Vejam matéria sobre Aula Invertida que saiu na Revista Exame: http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1038/noticias/as-escolas-do-futuro-ja-existem

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  16. Ótimo texto! Principalmente nas críticas às críticas. rsrs
    Longe de dizer que o modelo da Khan Academy é a salvação da Educação, mas é uma excelente alternativa que faz jus ao século XXI. Só falta conseguirmos contornar o problema da falta de acessibilidade à internet.

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    1. Obrigado, Otacilio.

      Tenho certeza que em pouco tempo resolveremos esse gargalo da Internet no Brasil (não é muito dificil, depende mais de vontade politica). Mais dificil é resolver o problema da qualidade (ou falat dela) da educação no Brasil...

      Abs

      Romero.

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  17. Mestre Tori, dá uma olhada nesse canal. Acho que ele difere do Khan no aspecto de participação do aluno e o bom humor. http://www.youtube.com/user/matematicario

    Sds

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    1. Interessante.. bem diferente do Khan.. vamso ver como é a receptividade... abs

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  18. Sou professor, embora não esteja dando mais aulas oficialmente, e gostaria de saber como conseguir o "programa" ou os "vídeos" do Prof. Salan Khan (aliás, o Ministério da Educação, disse que iria distribuir aos professores. E dai?
    Quando e como posso conseguir isso?
    Prof. IRINEU NOGUEIRA, disciplina MATEMÁTICA
    email. jaboti47@yahoo.com.br
    Gostaria que me respondesse pelo meu email, se possivel.

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    1. Basta acessar o site https://www.khanacademy.org/ (em ingles). Os videos são online, não precisam ser baixados. Alguns videos ja foram traduzidos para o português e podem ser acessados no site da Fundação Lemann (http://www.fundacaolemann.org.br/khanportugues/).

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  19. Olá pessoal sou uma amante da matemática e tenho um sonho de usar novas tecnologias para ensinar aos jovens um pouco de raciocínio matemático e gosto pelo pensamento matemático, tenho pesquisado muitas novidades, mas no concreto, para o dia a dia ainda não encontrei nada, preciso muito de ajuda para formar um grupo de estudos e de idéias chegar a uma nova tecnologia para esta matéria tão desvalorizada e deixada de lado nos tempos de hoje, sinto muita falta de interesse nos alunos e nenhum apoio acadêmico. Gostaria de convidar alguns mestres ou simpatizantes para discutirmos estas idéias e utopias e encontrar pelo menos um ponto de partida.

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    1. Olá caríssima Elza! A vídeo-aula nos moldes do que temos hoje no Youtube é um bom exemplo a ser seguido, pode-se fazer adaptações e aplicar melhoras.

      Nosso amigo Nilton Machado mais acima, lembrou de jogos eletrônicos para divulgar a matemática, você pode ver alguma coisa neste site; http://www.rc.unesp.br/gpimem/downloads/dissetacoes/rosa_m_me_rcla.pdf

      E já que você é uma educadora interessada em quebrar paradigmas na educação, veja neste vídeo, a visão interessante de Ken Robinson sobre como educamos nossos filhos;
      https://www.youtube.com/watch?v=DA0eLEwNmAs

      E boa sorte na sua jornada na educação cara Elza.

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    2. Olá Paulo
      muito obrigada pelo seu comentário, vou assistir o vídeo que me indicou e já estou fazendo contato com Nilton Machado.
      Sinto que nossa área de matemática pode sim melhorar e mudar, tenho muitas idéias mas falta buscar um caminho, conto com seu apoio e interesse em ser parceiro nesta busca.Quanto ao comentário abaixo sobre o efeito Khan, concordo com você existem outros vídeos muito bons e Tbm gosto muito dos vídeos do telecurso, e uso muito nas minhas aulas, pois além de ensinar o conceito ele relaciona a matemática com o dia a dia

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  20. Olá caro Romero, o tema escolhido para debate ainda é bem polêmico, pois desperta a curiosidade de quem acolhe o novo com muita facilidade e provoca repulsa em quem defende o que é antigo, mas como você mesmo frisou, o velho nunca será substituído pelo novo, na verdade hoje em dia, nada mais se cria, tudo se copia, vejo o antigo reaparecendo com nova roupagem, faço graduação de Matemática, e em Geometria ainda aprendemos rudimentos de Geometria básica escritos por Euclides a quase 500 anos antes de Cristo.

    Claro que, o bum provocado pelos vídeos de Khan, deve-se à própria mídia que ele utilizou para divulgar seus vídeos, antes dele já existiam diversas vídeo-aulas muito mais interativas e bem produzidas em outras mídias, mas por ter sido mais acessado a mídia decidiu expor Khan como o revolucionário no uso desta ferramenta, então todos começam a comentar que seus vídeos são os melhores e dão melhores resultados, eu assisto vídeo-aulas pelo Youtube, e nem conhecia o tal Khan até seu nome começar a aparecer no jornal televisivo, antes de conhecer seu trabalho, já assistia diversos vídeos do Nerckie, professor de Matemática brasileiro que utiliza uma linguagem mais popular e descontraída para explicar como se aplica os conceitos matemáticos, e ao meu ver o resultado visual do Nerckie é superior ao Khan, entre outros mestres brasileiros que tem um arsenal de vídeo-aulas postadas também no Youtube, mas como grande parte dos vídeos de Nerckie foram postados a partir de 2010, enquanto Khan começou a postar seus vídeos dede 2009 ou por utilizar a linguagem mundial, INGLÊS, isso favoreceu uma maior quantidade de acessos.

    Concordo contigo quando dizes que há um sucesso eminente nos vídeos de Khan, atribuo o sucesso esmagador de vídeos postados no Youtube pela praticidade que já comentastes, assistir um vídeo na hora em que se pode, pausar, voltar, pausar e consultar um livro ou outro site na NET, todo esse recurso supera o antigo telecurso que passa em horário fixo e inapropriado para quem estuda, horário este que só quem pode assistir são os trabalhadores dos grandes centros urbanos que acordam 5:00 horas da madrugada na correria tomando um rápido café e se vestindo para pegar seu ônibus, de fato não há como aprender nada nesse clima, ou o trabalhador do campo que acorda cedo todo santo dia, mas não tem porque ligar a TV naquela hora, quando tem uma TV, logo ficou realmente super desvantajoso esperar que o telecurso fizesse tanto sucesso quando vídeos do Youtube, mas em contra partida, discordo em dizer que o telecurso é chato e com didática inferior aos vídeos de Khan, é bem possível que o sucesso, seja a utilização de uma ferramenta ultra moderna, YOUTUBE, associada com ferramentas jurássicas, QUADRO NEGRO, a mesclagem é importante para agradar gregos e troianos, mas as vídeo-aulas produzidas para o telecurso, ao meu ver trata-se de um trabalho muito mais atrativo, com pessoas falando sobre a utilização prática do dia a dia das fórmulas que aprendemos na marra na metodologia antiga, e mescla com uma mão escrevendo os conceitos, demonstrando a solução do problema, mas essa é uma opinião muito pessoal, o popular prefere a simplicidade, talvez o fundo negro e os entes matemáticos aparecendo na tela como passe de mágica seja de fato mais atrativo.

    Mas independente de quem revolucionou ou não, é bom que todos compreendam o que também já comentastes, os conceitos dos antigos pais da pedagogia; Paulo Freire, Piaget, Vigotsky, Dewey..., não foram soterrados, estão ativos e atuais, a nova ferramenta é só uma forma mais eficiente de atender o aluno no tempo que ele tem de acessar a ferramenta de instrução, o computador em si é uma ferramenta inquestionável que segura a atenção de qualquer pessoa, excluo aqui os antigos que repudiam o novo, e que por este motivo o resultado é muito melhor que outros métodos antigos que já estão saindo de uso.

    Obrigado por abordar um tema tão interessante e polêmico caro Romero!

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    1. Caro Paulo.

      Obrigado pelo enriquecedor comentário.

      Quanto ao telecurso creio que não discordamos. Sempre admirei a qualidade e a didática do telecurso. Muito bem planejado e contextualizado. De maneira alguma considero o telecurso chato. O que é chato é o modelo da mídia TV (broadcasting, ou seja, unidirecional, sem flexibildiade de horário, sem possibildiade de pausar e rever, enfim, sem interatividade). Certamente os videos dos telecursos disponibilizados na internet são melhores que os da Khan Academy...

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  21. Olá Romero, obrigado pelo convite. A aplicação das TICs na educacional pode ser configurada como uma área de estudo que contribui para o desenvolvimento da educação escolarizada como um todo, e que deve estar de acordo com os objetivos definidos no plano pedagógico escolar e com as propostas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Ela visa propiciar a alunos e professores mais um ambiente onde a aprendizagem pode ser estimulada, através da união dos recursos da informática com os objetivos particulares de cada disciplina ou visando o desenvolvimento de projetos interdisciplinares e cooperativos.
    Queremos mostrar que, a questão chave da implantação de novas tecnologias de suporte à educação é fazer com que o aluno tenha interesse e motivação para buscar a informação desejada, transformando assim o paradigma tradicional da educação como “depósito bancário, fábrica”, para a educação como entretenimento.
    A aprendizagem tradicional entre outras características é racional (organizada, sintetizada, hierarquizada) e lógico matemática (dedutiva, sequencial, quantificável) A virtual / interativa é intuitiva ( conta com o acaso, junções não lineares) e multissensorial (dinamiza interações de múltiplas habilidades sensoriais).
    O computador por si não atende ao objetivo de formar o "homem social" com que sonha a humanidade, o que formará o homem será a maneira como ele utilizará a máquina. Por isso, é preciso que os objetivos do uso de computadores na educação em geral e na educação especial siga uma filosofia educacional mais ampla que justifique sua aplicação. Abordaremos o uso de computadores na educação a partir de uma perspectiva construtivista-interacionista. Desta forma, o computador deve ser usado como um instrumento de aprendizagem, onde o aluno atua e participa do seu processo de construção de conhecimentos de forma ativa, interagindo com o instrumento de aprendizagem.
    A partir dessas perspectivas o computador poderá assumir o lugar de aprendiz, deixando para o aluno o lugar de professor. Assim, o indivíduo vai aprender com seus próprios ensinamentos e descobertas. O aluno adquire conhecimentos a respeito de seu próprio pensamento, possibilitando que construa de melhor forma sua aprendizagem. Portanto o termo “construcionismo” decorre da necessidade de se caracterizar a interação aluno-objeto, mediada por uma linguagem de programação, temos excelentes retornos com a prática em laboratório com os softwares de autoria. Os alunos constroem projetos significativos com esta ferramenta de trabalho mediada pelo professor/facilitador. A usuário interage com o objeto que usa métodos para facilitar a aprendizagem e, principalmente a descoberta do aluno.
    Um enfoque teórico equilibrado não é simples de encontrar, principalmente porque estamos lidando com uma situação escolar inédita e também porque nosso objeto de estudo está em constante transformação, com o surgimento de novos computadores, novos softwares, novas formas de relacionar esses elementos, novas políticas públicas voltadas para a área educacional. Isso exige de nós, pesquisadores, uma atitude navegacional, que nos permita ir e vir por esses caminhos, sem perder nosso rumo. Optamos por utilizar os estudos de Lev Semenovich Vygotsky, no que tange o interacionismo, para tentar amenizar algumas barreiras citadas acima e fornecer um referencial teórico promissor à temática da informática educacional. Conheça o site www.softwareseducativos.eti.br onde há alguns exemplos de softwares educativos desenvolvidos por professores e alunos em laboratório. Uma série posterior construindo um determinado software para uma série anterior. Não queremos e não temos a pretensão em dizer que esta é a solução, muito pelo contrário queremos ressaltar que é mais uma ferramenta de trabalho que vem agregar a tantas com o mesmo objetivo ajudar o educador em sua missão de educar novos seres para uma nova sociedade.

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  22. Os novos rumos da EAD: http://migre.me/ev3WY

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  23. Bom dia, Apesar de ter uma velocidade alta de internet e ter feito minha inscrição por imail no khan Academy não tenho conseguido mais acesso é uma pena pois as aulas estavam me ajudando bastante

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