segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Se a Escola não mudar as gerações interativas a mudarão ...




Estou repetindo o video acima, já publicado em meu post intitulado "Tablets nas escolas ? ", por ser também uma ótima ilustração das gerações Y e Z, as gerações interativas (veja mais sobre gerações aqui). A "geração televisiva", da qual fiz parte como representante da geração X (digo "fiz" porque há muito tempo já tratei de migrar para a cultura das gerações mais novas), se caracteriza pela postura inclinada para trás, receptiva. As gerações interativas são inclinadas para a frente, prontas a interagir. Imagine agora esses jovens numa aula expositiva típica. Será que conseguirão se manter atentos e interessados, ouvindo passivamente o professor? O modelo "expositivo" e "coletivo" das aulas expositivas tradicionais vem sendo criticado há muito tempo por educadores e, principalmente, por alunos, cada vez menos motivados. Mesmo assim ainda persiste em muitas escolas como a principal forma de "entrega de conteúdo" (sim, sei que essa expressão incomoda, mas infelizmente é crença, ainda que não a admitam, de muitas escolas que persistem nesse modelo).  Por isso acredito em modelos que possibilitem a aprendizagem personalizada, respeitando ritmo e estilos de aprendizagem de cada aluno. O "flipped class-room" (sala de aula invertida) é um deles. Nesse modelo os alunos estudam, fora da sala de aula, os conteúdos em material multimídia interativo e/ou videos que substituem aulas expositivas. Na sala de aula, em vez de exposição de conteúdos, são realizadas tarefas que no modelo tradicional seriam preferencialmente realizadas em casa, como exercícios e trabalhos. Desse modo o professor pode esclarecer dúvidas, promover discussões e prestar atendimentos personalizados aos estudantes. Outra possibilidade é o chamado "blended learning", um modelo híbrido no qual se combinam atividades presenciais e a distância, aproveitando-se o melhor dos dois mundos.  Há muito tempo educadores como Piaget, Vygotsky, Ausubel e Paulo Freire, entre outros, já nos mostravam a necessidade de mudanças nas escolas. Se até agora foi possível, em boa parte das escolas, manter o "status quo", com a chegada das gerações interativas, acompanhadas de suas tecnologias, interatividade e impaciência, definitivamente as escolas não serão mais as mesmas. O video abaixo, ainda que tenha como foco a educação corporativa, faz uma narrativa bastante interessante sobre a "educação do futuro".



Esse futuro está mais próximo do que muitos imaginam. Há dez dias saiu uma publicação da Fundação Telefônica, em parceria com a  Escola do Futuro da USP e Ibope, chamada "Gerações Interativas Brasil: Crianças e Adolescentes Diante das Telas" (faça download do livro aqui e veja reportagem do Estadão). Esse livro nos mostra que nossos jovens já estão conectados (75% dos jovens entre 10 e 18 anos navegam na Internet e 74,7% possuem celular)  e utilizam todas as mídias digitais de forma convergente.  Baseado em outra pesqusia, focada em escolas americanas, este infográfico da OnlineDegrees.com  mostra que "82% dos alunos usam o smartphone para tarefas da escola".  Podem ter  certeza que os modelos de escola do século passado (alguns do século retrasado, diga-se) não sobreviverão à geração Z.