quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Brasil na Copa



Se você gosta de futebol e foi atraido pelo título lamento informar que o assunto deste post não é a Copa do Mundo de Futebol. Adoro, como nove em dez brasileiros, acompanhar os jogos dos mundiais da FIFA e torço para que a camisa amarela de nossa seleção de futebol continue a impor respeito aos adversários, inclusive, se me permite sonhar, até mesmo aos que vestem a camisa vermelha de uma certa seleção ibérica. Mas o assunto de hoje é uma outra copa, a Imagine Cup. Criada e organizada pela Microsoft, desde 2002, essa é uma das mais importantes competições na área de tecnologia. Dela participam equipes de estudantes do mundo todo, em categorias como software design e game design, entre outras. Neste ano a final da Imagine Cup foi realizada em Sydney, Australia, no período de 5 a 11 de julho, com a participação de 106 equipes finalistas, representando 75 países. Como já vem tradicionalmente ocorrendo nessa competição o Brasil se destacou mais uma vez. Veja a lista dos vencedores e confira: Brasil levou três primeiros lugares e um segundo lugar. Nenhum outro país recebeu mais do que dois prêmios. Está certo que tivemos uma grande ajuda dos irmãos Neymar e Ganso, digo, dos irmãos Roberto e Eduardo Sonnino, que participaram de três das quatro equipes vencedoras (veja a reportagem que saiu no Estadão sobre o feito histórico desses jovens). Mas isso não tirou o brilho do desempenho do Brasil na competição, pelo contrário, aumentou ainda mais a repercussão de nossa participação. 


Eu tive o privilégio de ter sido o orientador principal do projeto de conclusão de curso de um desses brilhantes irmãos, o Roberto Sonnino, juntamente com a engenheiranda Keila Matsumura, premiado como melhor projeto do curso de engenharia de computação da Escola Politécnica da USP em 2011 (Veja a página do projeto FUSION4D). Por iniciativa do próprio Roberto montamos a equipe Interlab, reforçada  com a entrada do irmão Eduardo, estudante de design na UNICAMP, para transformar aquele premiado projeto num aplicativo para XBOX e submetê-lo ao Imagine Cup (veja neste video como ficou o FUSION4D desenvolvido para o Imagine Cup). Foi assim que me transformei em um feliz mentor de uma equipe selecionada, entre 527 outras concorrentes ao redor do mundo, como uma das três melhores na categoria Kinect (o bem-sucedido dispositivo que captura movimentos para o console de game XBOX 360 da Microsoft), recebendo, assim, o direito de participar da cerimônia de premiação em Sydney. Um terceiro lugar garantido e a viagem a Sydney foram muito comemorados por nós. Imagine então nossa emoção quando, na grande noite, a equipe Interlab foi chamada ao palco para receber o troféu de primeiro lugar na categoria Kinect! Além desse foram mais três prêmios. A comitiva brasileira, que já estava animada na festa de abertura (veja a foto no topo deste post), comemorou muito as quatro premiações. Parecia até jogo de futebol (só faltaram, ainda bem, aquelas barulhentas cornetas).  Outra torcida bastante animada era a coreana. Só que eles não tiveram tantos motivos para comemorar quanto a nossa. 


Participar desse mega-evento, assistir às equipes defendendo seus projetos perante bancas de renomados especialistas internacionais, vê-los demonstrar suas realizações apaixonadamente na área de exposições,  conhecer soluções criativas e muito bem elaboradas, aprender com esses jovens com potencial de se tronarem um novo Bill Gates ou um futuro Steve Jobs, tudo isso reforçou em mim algumas convicções. A primeira é de que nossos jovens conseguem sim ter foco, disciplina e competência para realizar projetos complexos e arrojados. Basta que tenham a devida motivação (motivação, aliás será o tema de um de meus próximos posts). A segunda é que aprendizagem por projetos é uma metodologia que contribui muito para a formação do profissional do século XXI, em especial na área de tecnologia, e precisa ser adotada em maior escala por nossas escolas. A terceira é que fluência na língua inglesa e competência para apresentação e oratória são fundamentais para o sucesso profissional e que tais competências precisam ser fortemente trabalhadas em sala de aula. Destacaram-se ainda nesse evento o empreendedorismo, o trabalho em equipe, a liderança, a ética e a criatividade. Foi emocionante assistir a alunos de diferentes partes do Brasil brilharem, com excelentes projetos e ótimas apresentações (exaustivamente ensaidas). As nossas melhores escolas oferecem bons conteúdos, e definitivamente os participantes brasileiros demonstraram possuir muita bagagem de conhecimento. Mas poucas instituições trabalham com a mesma intensidade todas as competências aqui listadas. Os participantes brasileiros esbanjaram essas competências, talvez menos por mérito de suas escolas do que por seus próprios e de suas famílias. Certamente há muitos outros jovens brasileiros com o mesmo nível de conhecimento, mas que por não possuirem habilidades inatas ou desenvolvidas por esforço próprio, dependeriam de suas escolas para atingirem o mesmo grau de competência. Quanto mais nossas instituições de ensino investirem na melhroria do desenvolvimento de habilidades e competências mais veremos nosso jovens terem sucesso não apenas em competições como a Imagine Cup, como também nas competições da vida profissional ou empresarial. No futebol podemos nos contentar com talentos inatos, mas na vida real precisamos de muito mais craques, que podem e devem ser formados, em vez de apenas "peneirados".   


Por fim quero dizer que estou muito feliz e otimista com o futuro de nosso país ao ver sinais muito claros de que o Brasil cresce em reconhecimento internacional em muitas áreas. Além dessa recente conquista do Brasil na Imagine Cup, cito alguns outros exemplos, como o de artistas brasileiros se destacando no concorridíssimo mercado americano de quadrinhos, o recorde obtido por publicitários brasileiros em Cannes, ou a expansão da produção científica brasileira


Vai ser muito bom não depender apenas do futebol para ser respeitado no exterior. Ainda bem. Até porque já não respeitam nosso futebol como antigamente.