sábado, 19 de junho de 2010

TCC: A Interface entre o Aprendiz e o Profissional

Para quem não sabe: TCC significa "Trabalho de Conclusão de Curso". Na Escola Politécnica da USP é o tão esperado (e algumas vezes temido) "Projeto de Formatura".  Prática cada vez mais comum em cursos de graduação, os projetos realizados por alunos em seus últimos anos de curso são muito importantes para a consolidação dos conhecimentos e habilidades adquiridos ao longo da graduação e verdadeiros marcos nas vidas dos estudantes. O TCC é um ritual de passagem, a interface que transporta o aprendiz para o mundo da autonomia profissional. É uma pena que ainda haja alguns alunos que não percebem a importância dessa atividade e a tratam como "mais uma obrigação a ser cumprida para ter direito ao diploma". Esses vão demorar um pouco mais para atingir a maturidade profissional e sofrerão descobrindo que não têm mais os "amiguinhos" para escorá-los nem notas para passar, mas sim resultados para obter. Felizmente são minoria. Os bons estudantes (e futuros bons profissionais) valorizam e se envolvem de corpo e alma nessa atividade com a qual desejam "abrir com chave de ouro" seus portfólios profissionais.

Todo final de semestre é uma correria, com muitas bancas de TCC para participar e alunos para orientar. Mas a satisfação de acompanhar ao vivo e em tempo-real a rica produção desse jovens, e sentir a energia e paixão que emanam, compensa todo o cansaço de quem já não tem tanta energia mas continua com a mesma paixão pela profissão e pela educação.

Esta semana encerrei meu mutirão de bancas. Foi muito gratificante.  Por isso decidi compartilhar com você leitor um pouco desses momentos mágicos. Selecionei dois trabalhos que se destacaram entre aqueles que tive oportunidade de avaliar.

O primeiro, REFR.ACTION, é um exemplo de profissionalismo, criatividade e dedicação. Desenvolvido por Luciano de Castro Ferrarezi e Fellipe Matheus Vergani Rodrigues, alunos do Curso de Bacharelado em Design - Habilitação Interface Digital, do Centro Universitário Senac, sob a competente orientação do Prof Dr Fernando Fiogliano, esse projeto cria uma nova forma de interação corporal com sons, espaço e imagens. REFR.ACTION é uma instalação artística em que o público interage com uma interface de raios laser. Conforme os raios são interrompidos sons e imagens são gerados. Numa instigante inversão a dança da pessoa é que gera a música.

Os professores Fernando Foglieano, orientador, e Isa Seppi, com quem tive o privilégio de compartilhar a banca de avaliação, experimentam as sensações de criar música a partir da dança, interagindo com os raios de luz do projeto REFR.ACTION.


Para a apresentação do trabalho perante a banca os autores do projeto REFR.ACTION ocuparam durante três dias um dos estúdios de televisão do Centro Universitário Senac. Todos os detalhes foram cuidados com rigor profissional. Uma estrutura metálica contendo os canhões de raio laser foi instalada no teto do estúdio. Não havia fios a mostra, pois os autores tiveram o capricho de montar uma rede wireless para transmissão dos sinais e comunicação entre os computadores que controlavam as projeções pelas paredes do estúdio. Tudo funcionou impecavelmente. O hardware e software que foram implementados pareciam ser obra de engenheiros de computação. Parabéns ao Fellipe, ao Luciano, e, claro, ao Prof Fernando Fogliano, que certamente teve participação fundamental para o sucesso desse trabalho.

O segundo trabalho que vou comentar foi desenvolvido pelos meus orientandos, Renata Moreira de Campos Machado, Ricardo Iamamoto e Thommy Nozaki, também alunos do Curso de Bacharelado em Design - Habilitação Interface Digital, do Centro Universitário Senac. Trata-se do UXperien: Kubik Project, projeto conceitual de um ambiente imersivo e interativo que proporciona novas experiências aos usuários de bibliotecas para a realização de pesquisas.


No ambiente Kubik Project o usuário pode interagir com as paredes e com a mesa, por meio de interface multitoque, trazendo videos, imagens, textos e combinando-os de acordo com seu foco de pesquisa. Para selecionar os assuntos da pesquisa foi desenvolvida uma interface, baseada no conceito de mapas conceituais, em que os nós são cubos tridimensionais distribuídos numa "galáxia" informacional. Cada cubo aborda um assunto por meio de 6 mídias diferentes, uma em cada face.  Os conteúdos podem ser executados, conectados e arrastados livremete entre paredes,  mesa e notebook.


Os autores fizeram uma cuidadosa pesquisa dos perfis que compõem o público-alvo, das tecnologias interativas e do estado da arte em design de experiências para os frequentadores de bibliotecas. O capricho e envolvimento do grupo podem ser verificados em detalhes como a caixa na qual vieram acondicionados o DVD do projeto, o texto contendo a revisão bibliográdica e todos os detalhes do projeto, e um conjunto de cartões com perguntas instigantes que convidam à reflexão e interação. Agradeço ao grupo pelo privilégio de ter sido seu orientador.


Veja mais fotos desses projetos de TCC do Bacharelado em Design - Habilitação Interface Digital, do Centro Universitário Senac.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Você sabe o que é um "autoriz"?

Não sabe?  Então leia este post até o final e entenderá o conceito de "autoriz", ou "authorner".

Uma característica marcante da chamada Web 2.0, denominação proposta por O'Reilly para o novo paradigma da Internet, é a do consumidor produtor, ou prossumidor ("prosumer"). Apesar desse nome horrível (Alvin Tofler, autor do livro "A Terceira Onda" e criador do termo, que me perdoe) o conceito representado, por meio da fusão das palavras producer e consumer, é muito importante e  bastante apropriado para o momento atual das redes sociais. "Prossumir" (argh...), no contexto da Web 2.0, significa, então, produzir, e ao mesmo tempo consumir, conteúdos para determinado repositório de armazenamento e troca de informações, a exemplo do que acontece em serviços como Wikipédia, Twitter e outros.

Creio que você já tenha, a essa altura, deduzido o significado de (ok, outro nome horrível...) "autoriz" ("authorner") . Sim, isso mesmo. Esse conceito, que une "autor" e "aprendiz" (ou "author" e "learner")  trata de se dar ao aprendiz o poder de também ser autor de conteúdos educacionais. Para a nova geração de nativos digitais, que passam boa parte de seu tempo livre (e também do tempo que não deveria sê-lo) "prossumindo" (ai...), "autorizar" deve ser uma postura mais natural do que a de apenas consumir conteúdos  oferecidos prontos por professores e materiais didáticos.

Mas nem sempre foi assim. Muitos alunos  pensavam, e alguns ainda pensam, que ser solicitados a elaborar monografias e apresentações de seminários são recursos fáceis, usados por professores preguiçosos (mal sabem tais estudantes que "dar" aulas expositivas baseadas em "livros-texto" é muito mais fácil e confortável para "professores preguiçosos"). Eu, que tive o privilégio, logo no início de minha carreira docente, de ter tido aulas de didática no ensino superior com o Professor Marcos Masetto, e tendo também lido seus livros, sempre procurei colocar meus alunos como protagonistas das atividades educacionais, transformando  aprendizes em autores e apresentadores. Tais atividades fazem com que haja maior envolvimento com o aprendizado e, consequentemente, com a construção do conhecimento. Outra característica é que os pares se identificam e se sentem mais pertencentes a uma comunidade quando se envolvem em atividades colaborativas e de produção e publicação de conteúdo, o que contribui para a redução de distâncias na educação. Hoje, com recursos como blogs, wikipedias, redes sociais e outros, fica ainda mais fácil engajar os alunos no papel de "autorizes", seja em cursos presenciais, na chamada modalidade "a distância" ou no conceito mais moderno de "blended learning".

Ah..., em tempo: não adianta correr para Google, Bing, Yahoo ou Wikipedia  a fim de saber mais sobre "authorner" ou "autoriz". Sinto informá-lo que esses termos simplesmente não existem (ou pelo menos não existiam até eu escrever este post ;-). Desculpem-me pelo pequeno hoax, mas retirando-se os termos por mim inventados, o restante deste post continua válido. A verdade é que sempre gostei de criar neologismos ("educação sem distância" é apenas um exemplo entre vários). Em meu primeiro livro, publicado em 1987, criei o termo "compugrafia", porque achava "computação gráfica" muito grande e inflexível (além de ser uma tradução errada de "computer graphics"). Até publiquei um artigo em um congresso de terminologia técnica, no qual esse neologismo era utilizado.  A sua sorte é que meus colegas da área, que por sinal era bem pequena e estava ainda se iniciando no Brasil, ignoraram a proposta. Caso contrário pode ser que hoje você precisaria conviver com placas e aplicativos "compugráficos". Por outro lado, teríamos o verbo "compugrafar", que considero fazer falta hoje, dada a inflexibilidade de "computação gráfica" ;-). Interessante que, coincidência ou não, o termo "compugrafia" vem sendo utilizado fora do Barsil (!). Há até uma empresa, sediada na Flórida, com esse nome. Procurando pelo termo no Google encontrei, surpreso, esse termo sendo usado em paises de lingua espanhola (!). Há até um tal de "Proyecto Compugrafia". Será que algum "hermano" leu meu livro ? ;-)).

Para finalizar gostaria de apresentar os resultados produzidos por "autorizes" ;-), muito competentes por sinal, de minha disciplina  "Uso das Novas Tecnologias em Cursos Online" do curso a distância de pós-graduação em design instrucional do Senac-SP.  Após muitas trocas de mensagem nos fóruns incumbi os alunos, divididos em grupos, a compilarem e sintetizarem, num trabalho colaborativo "a distância" e usando os recursos da Web 2.0,  as discussões, realizadas por todos os participantes da disciplina como parte das atividades propostas, em torno de 5 grandes temas. Os resultados ficaram acima do esperado. Confira-os no blog da disciplina ou clicando diretamente sobre cada um dos posts abaixo:

1. Experiências Extremas
      Carlos Catalani, Luzia Cicco, Mariana Rossetto, Soani Vargas e Wilmara Messa

2. Presença, Interatividade e Distância
      Ronaldo Souza, Fernanda de Paula, Michelle Carvalho, Rodolfo Martini e Márcia Correia

      Cynthia Amaral, Elizabete Briani, Glauco Stein e Zilma Carvalho

     Ana Montrezol, Flávio Camargo, Márcia Holland e Marcelo Nogueira

      Danielle Mingatos e Leandro Moreira

Acompanhe ainda as produções "autorizadas" dos participantes da disciplina, que compartilho com a Profa Itana Stiubiener na Escola Politécnica da USP, "PCS 5757 - Tecnologias para Educação Virtual Interaiva", no blog da disciplina, o qual aponta para os blogs dos alunos.  Veja também um post que coloquei sobre a produçãos dos participantes de PCS 5757.

Aprenda, divirta-se e "prossumize" (desculpe, não resisti..;-) colocando seus comentários nos posts acima ou criando seus próprios posts (sem esquecer, claro, de colocar em seus comentários os links para os mesmos). 

Abraços e até o próximo post