segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tecnologias para Educação Virtual Interativa

Gosto de todas as minhas disciplinas e sempre aprendo muito ministrando-as, além de também me divertir. Claro que sempre espero, e me esforço para,  que o mesmo ocorra com meus alunos ;-).

Pela "PCS 5757 - Tecnologias para Educação Virtual Interativa",  que ministro no Programa de Pós-graduação em Engenharia Elétrica, área de concentração de Sistemas Digitais, da Escola Politécnica da USP, tenho, no entanto, um carinho especial. Criei essa disciplina há 10 anos, quando comecei a me preocupar com o uso de tecnologias interativas para aumentar a aproximação entre aluno-professor, aluno-aluno e aluno-conteúdo. Desde aquela época me incomodava o termo "Educação a Distãncia", que dá destaque ao problema em vez de valorizar a tão almejada "presença" na educação (não a presença de corpo mas a presença de "corpo e alma"). Daí o motivo da denominação que dei a esta disciplina, destacando dois importantes conceitos para redução de distâncias em educação:  as tecnologias do virtual e a interatividade. Há alguns anos a Profa. Itana Stiubiener veio me acudir, pois eu não estava mais conseguindo dar conta da demanda e do ritmo alucinante dessa disciplina. Sua competência na área de redes e na aplicação das tecnologias de informação e comunicação na educação, aliada a seu dinamismo e foco, não só possibilitou que continuássemos a oferecer regularmente a disciplina, como ajudou a levá-la a um novo patamar.

Não faltam motivos para a PCS5757 ser muito especial para mim. Foi durante seus vários oferecimentos, ao longo desses dez anos, que fui amadurecendo, evoluindo e me aprofundando no uso das tecnologias interativas para redução de distâncias em ensino e aprendizagem. Dessa experiência germinou minha tese de livre-docência, da qual brotaram vários frutos, entre eles o livro "Educação sem Distância", que acaba de ser lançado  (e já está sendo usado nesta edição da disciplina). Outro diferencial da PCS 5757 são os "alunos" (na verdade professores, em sua maioria) que dela participam. Provenientes de diferentes áreas do conhecimento, e não apenas da engenharia, com perfis variadíssimos e, em geral, com experiência em educação,  são invariavelmente muito interessados, envolvidos, atuantes, motivados e competentes. A confluência de saberes, habilidades e interesses tão variados, que para alguns docentes poderia ser motivo de preocupação, gera um caldo intelectual riquissimo, que é justamente um dos pontos fortes dessa disciplina. De saída os participantes já se beneficiam apenas pela oportunidade de conhecer colegas interessantes e expandir qualitativamente seu network profissional e acadêmico.  Com os debates  que se estabelecem, os trabalhos colaborativos desenvolvidos e toda a interação ao longo de 3 meses de intensa atividade, é difícil que os envolvidos, incluindo os professores responsáveis pela condução do curso, não cresçam nesse processo. Sem falar que ainda costumamos convidar professores e pesquisadores que nos trazem conhecimentos de ponta, como foi o caso, por exemplo, da palestra sobre tecnologia de video digital, IPTV e teleconferência, ministrada pela Profa Regina Silveira.

Uma  amostra desse gostoso "caldo" pode ser visto nos blogs dos próprios alunos, muitos deles estreantes como blogueiros, mas não por isso menos interessantes, que reuni aqui.  Vale a pena uma visita.

Quanta coisa vimos, discutimos, publicamos e aprendemos ao longo desses meses de convívio e trabalho. Alguns alunos já começam a se referir à disciplina no passado, considerando que a aula da Prof Regina Silveira foi a última, já que, imaginam, no último encontro, a ser realizado no próximo dia 2 de junho a partir das 13h, "não teremos aula, apenas apresentações dos seminários". Enganam-se. Haverá "aula" sim. Ou melhor, serão várias aulas.  Tenho certeza que ainda aprenderemos muito nesse dia, o qual não perderei por nada.

PS: Mal terminamos o oferecimento desta edição da disciplina e, já no próximo dia 27 de maio, daremos início a uma nova turma, desta vez em Cuiabá ! Sim, você leu certo, na próxima quinta-feira terei o prazer de, pela primeira vez, dar aulas dessa disciplina em outro Estado, graças ao programa de doutorado interinstitucional (DINTER) oferecido pela POLI - USP na UFMT. A diversão, pelo menos para mim, contimua.. ;-))

domingo, 16 de maio de 2010

Confraternização, cultura e aprendizado no Second Life

No último dia 15 de maio de 2010, das 9h30m às 12h30m, horário de Brasília, realizamos um encontro de confraternização reunindo três turmas de disciplinas de pós-graduação por mim ministradas. Participaram alunos da disciplina "Uso das novas tecnologias em cursos online" do curso de pós-graduação em design instrucional do Centro Universitário Senac de São Paulo, e de duas turmas da disciplina "PCS5757 - Tecnologias para Educação Virtual Interativa", do programa de pós-graduação em engenharia elétrica da Escola Politécnica da USP, uma de São Paulo e outra de Cuiabá (doutorado interinstitucional oferecido pela Escola Politécnica da USP na UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso).

Foi uma experiência muito interessante, pelo grande número de participantes e pelo que pudemos aprender e vivenciar.  Para conduzir essa atividade convidei duas personalidades de destaque no Second Life: Aerdna Beaumont, que na first life é a Andrea Correa Silva, mestranda em Design no Centro Universitário Senac; e a Janjii Rugani, professora e artista Isa Seppi no mundo real, que também coordena o curso de "Bacharelado em Design-Artes Visuais" do Centro Universitário Senac de São Paulo.

A Aerdna nos recebeu na Ilha da Educação  e de lá nos levou ao seu espaço (Mato-Seco) onde nos apresentou a (e também nos presenteou com) algumas ferramentas que facilitam a atividade de um professor no ambiente do SL. Mostrou-nos por exemplo como é fácil a construção de objetos nesse ambiente e o novíssimo recurso que possibilita associarmos uma página da Web à textura de um objeto. Assim conseguimos exibir videos ou quaisquer outros conteúdos que estejam disponíveis na Web. Mostrou-nos também um projetor que pode ser carregado pelo professor, entre outras interessantes ferramentas didáticas.


De Mato Seco nos teletransportamos para o espaço da Janjii Rugani, "Made in Sampa.br Project" e "Snapshot Club". Lá pudemos apreciar  diversos ambientes que compõem um verdadeiro espaço cultural interativo, repleto de obras de arte da própria Janjii, ou melhor de seu "avatar" na first life, Isa Seppi, as quais podemos adquirir, com um simples clique, e levar para admirá-las em nosso próprio espaço.  A Janjii chegou ao SL sem conhecer praticamente nada sobre esse ambiente, mas em pouco tempo aprendeu e construiu muita coisa interessante. Já fez mais de 10 exposições no SL e criou um espaço cultural e interativo que vale a pena frequentar (recomendo!). Lá ela consegue explorar realismo e surrealismo de uma maneira muito criativa (há até mesmo um espaço debaixo d'água).


Para finalizar essa confraternização nos dirigimos ao campo de futebol, no espaço da Janjii, e participamos de uma roda de samba !


Veja um clip desse encontro no Youtube e algumas fotos no Facebook de Romano Flow (meu avatar!).

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Realidade Aumentada na Educação

Devido a minha atuação, tanto em pesquisas na área de realidade aumentada (RA) quanto na aplicação de tecnologias interativas na educação, sou constantemente consultado sobre como podemos utilizar  a RA no apoio ao ensino e aprendizagem.  A RA, como qualquer outra mídia, possui seus diferenciais e características que a destacam, mas possui também limitações e custos. A relação custo-benefício deve sempre ser analisada com cuidado. Também deve-se evitar a tentação de usar uma mídia como fim e não como meio, o que, além de tudo, seria uma agressão à etimologia do termo. Ao se usar didaticamente uma nova tecnologia apenas porque nos encantamos com ela  só conseguiremos atrair a atenção de nossos alunos pela curiosidade. O problema é que na segunda vez já não poderemos contar com esse atrativo e, se o conteúdo e a metodologia pedagógica não tornarem a atividade interessante e significativa para os aprendizes, de nada adiantarão os "efeitos especiais".

Não existe uma fórmula para o uso da RA em educação. Assim como não há receitas para se aplicar vídeo, internet, realidade virtual, jogos e outras mídias em sala de aula. O que o professor, ou o designer instrucional,  precisa conhecer é a linguagem de determinada mídia, seus potenciais, os meios de produzir, adaptar ou obter conteúdos para esse meio de comunicação e, principalmente, seus pontos fracos e limitações. Assim, cada atividade de aprendizagem poderá empregar os meios mais adequados, em função do público-alvo, do conteúdo e habildiades a serem trabalhados, dos recursos disponíveis etc. Essa postura já garantirá que os alunos não ficarão expostos a uma única mídia, o que já é um grande fator de combate à monotonia.

Nesse ponto você deve estar querendo me dizer: Ok. então quais são os potenciais e as limitações da realidade aumentada ? Bem, o potencial é enorme, Mas ainda está pouco explorado, cabendo a nós professores e pesquisadores, transformá-lo em ações e ferramentas de aprendizagem. O grande diferencial da RA é não precisar produzir uma imersão artificial no usuário, uma vez que este já se encontra no ambiente e dele não precisa sair pois os elementos virtuais são misturados à realidade.  O fato de o aluno poder sentir o objeto de estudo em suas mãos é um poderoso componente para a sensação de presença e interatividade por ele percebida. Conseguindo-se o envolvimento e presença do aluno, o professor terá o campo aberto para mostrar toda sua competência.  Ainda que a tecnologia de RA esteja bastante restrita a laboratórios de pesquisa e algumas ações nas áteas de marketing e entretenimento, já existem iniciativas muito interessantes. Veja por exemplo a experiência do Prof  Guilherme Hartung do Colégio Estadual Embaixador José Bonifácio, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, na reportagem do Portal Claro. Bastou também uma rápida busca com os termos "realidade aumentada" e "augmented reality" - o termo técnico correspondente em inglês - no Youtube para encontrar projetos interessantes como estes:




Em um futuro post pretendo apresentar alguns dos projetos que estamos desenvolvendo na USP e no Centro Universitário Senac, envolvendo RA e educação. Por enquanto vou deixá-lo(a) curioso(a) ;-).

Quanto aos pontos fracos e limitações, que não são poucos, vou destacar alguns: necessidade de: webcam e/ou projetores;  computadores com placas gráficas (os computadores recentes, em suas configurações mais básicas já atendem esse requisitos, mas ainda há escolas com parque computacional muito desatualizado); o desenvolvimento de aplicações ainda exige conhecimentos de programação, de preferência C ou Java; necessidade de modelagem 3D e conhecimentos de computação gráfica.

Se você ficou interessado (a) em conhecer mais a fundo a tecnologia de RA e suas aplicações recomendo baixar gratuitamente o livro "Fundamentos e Tecnologia de Realidade Virtual e Aumentada" em meu site, visitar o site "realidade aumentada", baixar um dos kits gratuitos para desenvolvimento AR Toolkit (para linguagem C),  NYARToolkit (para Java) ou FLARToolkit (para Flash).

Se você souber de outras iniciativas e projetos envolvendo RA na educação, por favor compartilhe conosco a informação, na forma de comentário a este post.  Espero ver os seus próprios projetos aqui publicados também. Divirta-se, aprenda e ensine com realidade aumentada e, como diria Salomão Schwartzman, seja feliz!