quarta-feira, 21 de abril de 2010

Second Life: Nunca te vi, sempre te desprezei?

Não posso afirmar que não tenha preconceitos. Se o fizesse poderia ter esse sofisma desmascarado por algum de meus alunos que prestaram atenção a minhas aulas de lógica. Não ter idéias pré-concebidas sobre nada teria como condição necessária que se conhecesse tudo, daí a contradição que comprovaria o sofisma. Ok, a semântica da afirmação "não tenho preconceitos", desde que não levada ao "pé da lógica", pode ser interpretada como "não tenho o hábito de utilizar minhas idéias pré concebidas para tomar decisões, emitir opiniões e, principalmente, julgar". Mas era esse mesmo o sentido que empreguei em minha primeira frase. Hei, espere. Por favor continue lendo em vez de parar para colocar um comentário criticando minha falta de ética. O Prof Romero, assim como, espero, deve ser a totalidade de meus colegas professores, é ético e não deixa que seus eventuais preconceitos influenciem suas decisões e julgamentos quando esses envolvem qualquer impacto sobre seres vivos, instituições, meio-ambiente etc. Mas todos nós temos aqueles preconceitos, digamos assim, "benignos". Eu, por exemplo, não gosto de filmes do gênero "comédia romântica". E continuo não gostando, apesar de ter tido o azar de precisar admitir que os filmes desse gênero que minha esposa e filha me "obrigaram" a assistir até me agradaram. Mas certamente porque elas se esforçam em escolher filmes muito bons, só para ver se eu mudo de opinião ;-).  Por isso sempre que elas vão à locadora peço que tragam um "filme daquele tipo de que eu não gosto" ;-)).

Agora que você já deve ter se lembrado de alguns dos "preconceitos benignos" que carrega vou entrar no assunto que motivou-me a fazer esse longo preâmbulo. Será que nós professores podemos nos dar o direito de ter "preconceitos benignos"? Quando nossos filhos e alunos se recusam a experimentar algo, alegando não gostar daquilo, os chamamos à atenção: "como alguém pode dizer que não gosta de algo que nunca experimentou?". Bem, talvez aqui também não possamos radicalizar. Alguns "preconceitos benignos" devem ser resultantes de nossa evolução. Não sei porque não gosto de comida que cheira mal, mas não vou experimentar para saber... ;-)). O problema é que muitas das convicções que desenvolvemos sobre  novidades tecnológicas ou de comportamento são construídas sobre contextos ou paradigmas antigos. Ou pior, sobre "ouvir dizer". Nós professores precisamos estar constantemente nos atualizando, o que implica também a atualização dos paradigmas e contextos com os quais trabalhamos. Então, que tal seguirmos o conselho que damos a nossos filhos e alunos e pelo menos experimentarmos as novidades antes de criticá-las? Façamos um teste rápido. Das seguintes novidades, algumas nem tão novas assim, quantas você já teve a curiosidade de experimentar (e esses são apenas alguns dos principais serviços hoje disponíveis)? Videogames, Orkut, Facebook, Linkedin, NingDelicious, Youtube, Blogger, Google Earth, Google Maps, Google Docs, Google Livros, Google Acadêmico, Bing, Bing Maps, Microsoft Virtual Earth 3D, Flickr, PicasaSecond Life, Twinity, Twitter, BuzzWikipedia.  Bem, Wikipedia, Google Maps e Youtube quase todos já experimentaram. Mas você já tentou gerar conteúdos para esses ambientes? Difícil? Nada. Puro preconceito.  Brevemente colocarei um post especificamente para discutir o potencial de aplicação didática  dos serviços disponíveis na chamada Web 2.0. E o melhor é que é tudo de graça, ou quase!

Hoje vou encerrar falando de uma das "vítimas" atuais do preconceito de muitos educadores: o Second Life (SL). Um dos principais representantes dos ambientes virtuais 3D online, o SL é discriminado ao mesmo tempo por aqueles que não gostam de jogos digitais e pelos gamers, que afirmam que SL "não é jogo". Há aproximadamente dois anos houve uma euforia em torno do SL aqui no Brasil. Puro preconceito também, ainda que aparentemente fosse a favor do SL. Muitos empresários e "marqueteiros", sem que tivessem experimentado viver uma "segunda vida", acharam que tinham descoberto uma mina de ouro. Todos, ainda bem, já abandonaram seus negócios no SL. Esse "estouro da bolha" foi mais um fator a contribuir para o aumento do preconceito negativo contra o SL. Já perdi a conta de quantas vezes precisei responder a perguntas do tipo "Por que o SL não deu certo na educação?" ou "Com a decadência do SL, qual o próximo modismo?". Não, o SL não acabou. Há também milhares de iniciativas bem sucedidas de uso do SL na educação. Quando a onda do SL começou no Brasil eu já pesquisava há muito tempo a aplicação de ambientes virtuais 3D na educação. Já em 1994 eu publicava um artigo discutindo o potencial dos ambientes interativos 3D. Continuo pesquisando esses ambientes, incluindo o SL, até hoje. Pesquisadores não são famosos pela rapidez e agilidade, ao contrário de empresários e marqueteiros oportunistas. Pesquisa trabalha com conceitos, não com preconceitos ou modismos. Não tenho como prever se o SL perdurará. Mas pelo que já aprendi com minhas pesquisas tenho convicção de que os ambientes 3D online possuem um futuro garantido e muito potencial a ser explorado na educação. Convido-os a assistir a mesa redonda "O que aconteceu com os mundos virtuais?", que acontecerá no próximo E-learning Brasil e da qual participarei, juntamente com as professoras Neli Maria Mengalli e Renata Aquino.  Enquanto isso sugiro a quem ainda não experimentou ter um avatar que o faça. Depois coloque aqui suas impressões e/ou leve-as para discutir conosco durante a mesa.

Ah sim, você ainda não se motivou a experimentar? Então leia os seguintes depoimentos de alunos meus, um da disciplina "Usos das novas tecnologias em cursos online" do curso de pós-graduação lato-sensu "Design Instrucional" do Senac-SP e outro da disciplina de pós-graduação PCS 5757 da Escola Politécnica da USP. Essas declarações foram emitidas espontaneamente e são exemplos significativos do que a maioria dos educadores sente ao vivenciar pela primeira vez a experiência de um encontro com colegas nesse instigante ambiente. Ambas as reuniões foram conduzidas pela Andrea Correa Silva, que desenvolve pesquisa sobre o uso do SL na educação no Centro Universitário Senac e no Interlab da USP.

Depoimento 1: "Foi muito divertido!!! Aprendi muito!"

Depoimento 2: "...gostaria de agradecer a oportunidade de conhecer e explorar o SL com a ajuda de voces. Eu tinha uma visão totalmente diferente do que era possivel se realizar dentro do SL e fiquei muito surpreso com a riqueza de interatividade oferecida, pretendo até me aprofundar nos próximos dias conhecendo melhor os aspectos que vocês citaram..."

Para finalizar, seguem algumas referências para quem quiser se aprofundar no assunto "Second Life na educação".

Carlos Valente, Joao Augusto Mattar NetoSecond Life e Web 2.0 na Educaçao; Novatec Editora; 280p.

Sloodle Project (União dos ambiente Second Life e Moodle)

Não-ficção científica: Bailenson e os avatares na vida real (entrevista para o Jornal "O Estado de São Paulo")

A J Kelton: Director of Emerging Instructional Technology for the College of Humanities and Social Sciences at Montclair State University in New Jersey; possui importantes publicações sobre SL na Educação

Recomendo também o blog "Mundo Linden" para dicas e informações atualizadas sobre Second Life.

domingo, 18 de abril de 2010

EUROPEANA E ARIADNE

Muito se fala sobre as bibliotecas digitais e os repositórios de conteúdos didáticos, mas em geral se esquece de mudar o foco dos EUA para Europa, por exemplo. Hoje apresento duas iniciativas européias muito interessantes. A primeira se chama Europeana e procura armazenas e distribuir conteúdos culturais, em diferentes mídias digitais, produzidos por diversas instituições européias.

A outra, mais antiga, destina-se a concentrar objetos de aprendizagem e ferramentas produzidos pelas instituições associadas. Trata-se da Fundação Ariadne.

Vale a pena conferir.

PS: meus agradecimentos ao Carlos Alberto de Campos Barra pela sugestão da Europeana.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Jogos Educacionais, Jogos na Educação ou Jogos X Educação ?

Continuando com minha série de perguntas abordo hoje o tema "Jogos na Educação". Ou seria melhor "Jogos Educacionais"? No primeiro caso os educadores buscam aproveitar jogos existentes, adaptando-os aos contextos das atividades que pretendem desenvolver. É uma forma simples e barata de se conseguir motivar os alunos. Nesse caso os jogos podem ser utilizados como ponte para outros conteúdos a serem trabalhados. Recentemente participei do GameLab, organizado pelo SESC de Ribeirão Preto, onde tive a feliz oportunidade de conhecer dois professores que organizaram oficinas de jogos, o Fabiano Sampaio e o Bruno Drago, que costumam adotar essa abordagem (vejam o post do Fabiano, com exemplos de jogos usados por eles em oficinas).

A outra abordagem, mais cara e complexa, seria a criação de jogos, ou modificação de jogos existentes, voltados especificamente para o ensino de determinados conteúdos. Há quem questione essa abordagem porque "quem sabe fazer jogo não entende de educação e educadores não sabem fazer jogo". Há também  controvérsias sobre se ao colocarmos restrições pedagógicas não estaríamos limitando a criatividade dos designers de jogos ou mesmo se o adjetivo "educacional " não seria conflitante com um dos principais aspectos que caracterizam o jogo: a liberdade que o jogador tem de jogá-lo quando, quanto, onde e se quiser.

De uma coisa não tenho dúvida. Seria maravilhoso se conseguíssemos colocar nossos alunos em estado de Flow, nem que fosse na metade da intensidade que experimentam quando engajados na atividade de jogar. O  desafio para educadores e designers instrucionais é como transformar a relação "Jogo X Educação" numa relação "Jogo + Educação", ou "Educação + Jogo", se preferirem, já que essa operação é comutativa ;-).

O que você leitor pensa a esse respeito? Tem dicas e sugestões? Teve experiências relacionadas a jogos na educação ou jogos educacionais? Relate-as aqui.

PS: para os interessados em ler mais sobre o assunto "Jogos e Educação" recomendo o Portal GameCultura. Recomendo também os livros Game Over, da Profa Lynn Alves,  Games em Educação, do Prof João Mattar, e Introdução À Ciência da Computação com Jogos, dos Profs Flávio Soares Corrêa da Silva, Bruno Feijó e Esteban Clua.

sábado, 10 de abril de 2010

Fotos do lançamento do livro "Educação sem Distância"

Atendendo a pedidos coloco aqui os links para os álbuns, disponibilizados no facebook "Educação sem Distância", com alguams fotos do evento de laçamento ocorrido no último dia 30 de março de 2010 na FNAC de Pinheiros, São Paulo.
PALESTRA      SESSÃO DE AUTÓGRAFOS


segunda-feira, 5 de abril de 2010

O que é educação ?

Logo no início de minha palestra de lançamento do livro "Educação sem Distância" deixei a platéia "tensa" ao circular pela mesma com a arma, digo, com o microfone em punho, disparando perguntas a alguns dos presentes. Como quem pergunta o que quer pode (e deve) ser igualmente inquirido,  fui "alvejado" a "queima-roupa":  "O que é Educação?".  Numa platéia repleta de eminentes educadores e pensadores da educação seria muito rico se pudéssemos abrir essa discussão filosófica. Pena que eu tinha apenas 30 minutos para a minha apresentação. Combinei então com os presentes que abriria essa discussão no meu blog. E antes mesmo de abrí-la já recebi a contribuição de uma amiga que lá estava presente. Abro assim, com a contribuição dela, essa conversa sobre conceito tão importante . Aguardo a sua enquanto penso melhor na minha ;-).


"Educar que em latim educere significa conduzir para fora ou seja, extrai o potencial que está dentro do ser humano (caminho para desenvolvimento pessoal – experiências de vida, valores e princípios) e treinar outra forma de desenvolvimento pessoal (informação, habilidades e políticas). Baseado no modelo de efetividade gerencial – S.K. Chakraborty." (enviado por Ingrid Schrijnemaekers)

sábado, 3 de abril de 2010

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Deu branco. Essa era a última coisa em que eu queria pensar durante a sessão de autógrafos no último dia 30. E até que estava conseguindo me sair bem. Já ganhava confiança. Até daquele meu aluno que não via há aproximadamente 10 anos consegui me lembrar. Nome e sobrenome ! Confiança lá em cima. Dispensei a menina que gentilmente havia se oferecido para entregar post-its aos que aguardavam na fila, solicitando-lhes que escrevessem seus nomes. Afinal, pensei, eu já havia entrado em "flow" e não haveria porque me dar branco.... epa! pensei na frase proibida .. "dar branco"  .. nesse momento estavam à minha frente três grandes amigas e também companheiras de trabalho. Posso ficar tranquilo.. impossível esquecer seus nomes... mas..mas.. a do meio...é a ...nossa ..falo com ela quase todo dia... não..não..branco justo com ela.. uma pessoa tão bacana, e que admiro muito...Tentei ir mais devagar na dedicatória da Luciana enquanto tentava me lembrar da... da... é não teve jeito, precisei humildemente confessar que tinha me dado branco. Desculpe Juliana, nunca mais esquecerei seu nome. Os post its por favor !!!

PS: Ainda sobre esse tema recomendo a leitura deste texto, que eu havia lido um dia antes do lançamento:  http://espacoculturalclinicaverri.blogspot.com/2009/05/carpinejar-entrevista-luiz-ruffato.html